Setor têxtil demite dez por dia em 2016

Veículo: Todo Dia

O setor têxtil demitiu uma média de dez trabalhadores por dia em 2016 em quatro cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas). Segundo os sindicatos da categoria, 3.232 funcionários foram demitidos desde o início do ano até o fim de outubro. Ao todo, foram 1.743 em Americana, 614 em Nova Odessa, 659 em Santa Bárbara d'Oeste e 216 em Sumaré.

Somente anteontem, 300 funcionários do setor têxtil da Toyobo foram demitidos, sendo que, segundo o sindicato da categoria, o número pode chegar a 400 contando com os terceirizados. Além dela, as empresas Prisma, Poles e Polyenka também anunciaram cortes este ano.

Os dados do Sindicato do Trabalhador na Indústria Têxtil e do Sinditec (Sindicato das Indústrias de Tecelagem) apontam que só as 1.743 demissões em Americana geram uma média de cinco por dia. O número supera o total de demissões em 2015, 1.742. De janeiro a setembro de 2015, a média foi de 13 demissões por dia. No ano passado, foram 919 em Nova Odessa, 887 em Santa Bárbara e 223 em Sumaré.

A previsão do sindicado dos trabalhadores é que, até dezembro deste ano, o número de demitidos no setor chegue a 2.100 só em Americana. Na projeção, o número de demissões ultrapassaria 2014, quando 1.790 trabalhadores foram mandados embora


GOVERNO FEDERAL


O presidente do Sinditec (Sindicato das Indústrias de Tecelagem), Dilézio Ciamarro, criticou o governo federal. "Estamos alertando há muito tempo. Se o governo não acordar, não só as empresas vão fechar. A situação financeira está complicada e atinge todo mundo. Não tem o que o sindicato fazer".


Ciamarro diz que não houve êxito nos governos anteriores e que espera que o governo atual veja o setor com mais atenção. "Não pode ficar desta forma. Nós vamos tentar agendar reunião em Brasília para deixar eles a par da situação, do que está acontecendo com as nossas empresas".


O economista e professor da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) Francisco Crocomo destaca que a crise é geral e não só na indústria têxtil. "A crise está afetando todas as áreas. O mercado interno está diminuindo. Enquanto não tiver uma solução do governo federal, só vão diminuir recursos. Serão só cortes de gastos e demissões em massa".