Reforma da Previdência será a 'possível', admite Padilha

Veículo: Valor Econômico

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, acredita que a proposta de reforma da Previdência Social que o governo vai encaminhar ao Congresso "já está do tamanho possível". Não vai resolver definitivamente o rombo da Previdência, que, segundo ele, vai subir de forma moderada nos próximos oito ou dez anos e voltar a crescer novamente graças ao aumento da expectativa de vida dos brasileiros e à diminuição da força de trabalho. Padilha admitiu que será necessário criar uma nova fonte de financiamento para a Previdência daqui a alguns anos. Por enquanto, será feita a reforma "possível". "Se quiser apertar mais agora [a proposta de reforma] pode inviabilizar", disse ao Valor. Assuntos relacionados 1. A reforma possível na Previdência A reforma "possível", revelou o ministro, prevê a fixação de idade mínima para aposentadoria de 65 anos para homens e mulheres, além da adoção de um regime único para trabalhadores do setor privado e o funcionalismo público. Ele negou que o governo esteja cogitando criar algum tipo de contribuição para todos os inativos, como querem alguns governadores. "Os Estados é que têm que regrar os seus regimes". As regras de transição preveem prazos longos, de 20 anos para os homens e 15 para as mulheres. "A regra nova só vai se aplicar para quem tem menos de 50, sendo homem, e para quem tem menos de 45, sendo mulher", explicou Padilha. Mesmo assim, observou o ministro, não será fácil aprovar a reforma. Por isso, ele recomenda muita cautela. "Esse negócio de querer impor regras novas... Tem a ideia do direito adquirido que tem que ser repeitado, não é?". Na opinião de Padilha, as eleições municipais mostraram um eleitor mais receptivo à ideia de que o governo só deve gastar o que arrecada. Logo, aposta, o Congresso também deverá ser mais sensível ao tema, o que não quer dizer que o governo vá enfrentar uma batalha fácil. "Vamos continuar tendo a oposição que tínhamos, mas acho que [a eleição] consolidou a base de apoio", disse o ministro.