Bolsas de Nova York recuam após frustração com balanços

  25/10/2016 às 18h52 Bolsas de Nova York recuam após frustração com balanços A balança dos resultados corporativos americanos no terceiro trimestre pendeu para baixo nesta terça­feira. 

O desapontamento com lucros, receitas e projeções das companhias que divulgaram sues relatórios hoje prevaleceu e manteve os principais índice acionários de Nova York no território negativo. Após ajustes, o Dow Jones fechou em baixa de 0,30%, a 18.169,27 pontos, o S&P 500 recuou 0,38%, a 2.143,16 pontos. O Nasdaq cedeu 0,50%, a 5.283,39 pontos.

Assunto não faltou ao mercado: a terça­feira foi um dos dias mais movimentados da temporada, com mais de 90 divulgações de balanços. Consumo discricionário liderou as perdas entre os setores do S&P, com queda de 1,07%, seguido pelo setor de matérias­primas, que teve baixa de 0,71%. Por outro lado, os setores considerados mais defensivos foram os únicos a apresentar valorização nesta terça­feira no S&P 500. Os papéis de consumo básico e de utilities (serviços públicos) tiveram altas de, respectivamente, 0,36% e 0,62%. Os principais fatores de direcionamento dos índices de Nova York hoje vieram dos balanços. Foi o caso da Under Armour, que viu suas ações caírem 13,22%. A perda veio após a fabricante de material esportivo reduzir as expectativas de crescimento, apesar do avanço do lucro no terceiro trimestre. Três companhias do Dow Jones, Caterpillar, 3M e DuPont, reportaram os lucros antes da abertura das bolsas de Nova York. Caterpillar e 3M bateram as expectativas sobre lucro, mas ficaram abaixo do esperado nas receitas.

 A duas companhias também cortaram as estimativas de lucro por ação em 2016. Com isso, Caterpillar recuou 1,77% e 3M perdeu 2,94%.

 A DuPont, embora tenha relatado lucros e vendas acima das estimativas, caiu 0,74%, devido ao foco do mercado na fusão com a Dow Chemicals. Mas nem todas as notícias corporativas foram negativas. As ações da Lockheed Martin subiram 7,35% após a companhia, uma das maiores fabricantes de equipamentos de defesa e veículos militares do mundo, ter reportado resultados bem acima do esperado. O conglomerado também revisou para cima as projeções de lucros e vendas em 2016. Nesta terça, o petróleo operou em forte queda e reforçou a aversão ao risco.

 O recuo refletiu o crescimento da preocupação sobre o aumento dos estoques globais. A commodity também continuou pressionada pelos comentários do Iraque no domingo. O país expressou a intenção de ficar fora de um corte ou congelamento da produção proposto pela Organização de Países Produtores e Exportadores de Petróleo (Opep), no fim de setembro. O Iraque alegou precisar do dinheiro das exportações de petróleo para enfrentar o Estado Islâmico. 

O país é o segundo maior produtor da Opep. O dólar oscilou ao longo do dia e afetou os papéis de companhias ligadas às matérias­primas. Primeiro, teve forte valorização na metade inicial da sessão impulsionado pela perspectiva de alta de juros pelo Fed, banco central americano. 

Mas mudou de rumo à tarde após discurso do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, em Berlim.

O comandante do BC da zona do euro fez defesa enfática das políticas de estímulo adotadas desde 2014. No entanto, Draghi também reconheceu a existência de “efeitos colaterais indesejados”, que podem se acumular com o passar do tempo.

O presidente do BCE declarou ainda preferir “não ter de manter as taxas tão baixas por um período excessivamente longo”. Após as declarações, o euro, que operava em baixa ante o dólar, inverteu o sinal. A reversão também afetou a moeda americana, que passou a apresentar um leve recuo ante os pares internacionais.