Setor têxtil registra melhora em agosto

Veículo: Valor Economico 

Seção: Empresas 

As indústrias têxteis e de confecção apresentaram melhora em seus indicadores de desempenho no mês de agosto, sinalizando uma retomada do crescimento na produção e nas vendas do setor em comparação ao ano passado. Rafael Cervone, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), diz que, apesar dessa melhora, o setor ainda vai demorar para retomar investimentos na produção. "Os investimentos das indústrias ainda estão muito recuados. Há dois anos atrás, o setor investia por ano US$ 2 bilhões. Em 2015 foram US$ 750 milhões e, neste ano, os investimentos estão previstos em US$ 420 milhões. As indústrias vão primeiro ampliar o uso da capacidade instalada. Os investimentos virão mais tarde, provavelmente no segundo semestre de 2017", afirmou o executivo. 

A pesquisa mais recente de conjuntura da Abit, que ouviu em torno de 400 empresários da cadeia têxtil, indicou que a produção e as vendas no setor vão crescer em setembro e outubro. Para 58% das empresas, as vendas nesses meses serão maiores do que no mesmo período do ano passado; para 10% ficarão estáveis e para 32%, serão inferiores às vendas de 2015. Em relação à produção, 45% esperam aumento nas vendas; 25% preveem estabilidade e 30% veem queda. A pesquisa mostrou ainda que 77% das empresas pretendiam manter o quadro de funcionários inalterado em setembro e outubro; 11% pretendiam contratar mais pessoas e 13% iriam demitir. "O setor saiu de um saldo positivo de empregos de 23 mil vagas em 2013, para o fechamento de 14 mil postos em 2014 e mais 100 mil em 2015. Agora a expectativa é de estabilidade. É a mudança mais impactante no setor", afirma Cervone. De acordo com dados do Relatório Setorial da Indústria Têxtil Brasileira, produzido pela consultoria Iemi Inteligência de Mercado, o setor fechou 2015 com 1,5 milhão de postos de trabalho. 

Em agosto, 57% das empresas consultadas declararam que suas vendas subiram em relação ao mesmo mês de 2015. Para 38%, houve queda e 5% registraram o mesmo resultado. Já em relação à produção, 41% declararam que houve queda em relação a agosto de 2015, 38% relataram aumento e 21% tiveram desempenho estável. O nível de estoques ficou abaixo de agosto de 2015 para 59% das empresas e igual para 26%.