Inflação no cenário do BC cai a 3,9% no 2º trimestre de 2018

Veículo: Valor Economico

Seção: Valor Invest 

No estudo que atualiza projeções de juro, câmbio e taxa Selic que serão utilizadas pelo Banco Central (BC) no modelo que calculará a inflação por ele esperada no cenário de referência, a ser apresentado no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, a MCM Consultores Associados afirma que a variação do IPCA estará exatamente na meta de 4,50% em dezembro de 2017 e em 3,90% no 2º trimestre de 2018. Esse patamar alcançado para a inflação em junho de 2018 estará deslizando para o novo piso da banda de flutuação do regime de metas que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2017. [A partir do ano que vem, por decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) tomada em junho do ano passado, a margem de flutuação para acomodação de choques cai dos atuais 2 pontos percentuais para 1,50 ponto para mais e para menos da meta fixada em 4,50%. A partir de 2017, portanto, o piso do regime de metas brasileiro será de 3% e o teto de 6%.

A MCM lembra que no cenário de referência do RTI de junho, a projeção central de inflação era de 6,9% para 2016, 4,7% em 2017 e 4,2% no 2º trimestre de 2018. [Veja então que a queda no resultado esperado para meados de 2018 é considerável no 3º trimestre que será analisado no RTI que sai amanhã.] A melhora da inflação prevista para dezembro de 2017 __ quando o modelo mostra que estará exatamente na meta __ ocorreu principalmente pela revisão das expectativas de inflação, diz a consultoria. A redução para a premissa da taxa de câmbio colaborou no mesmo sentido, mas com efeito limitado. 

Essa projeção de 4,50% para dezembro de 2017 poderia, contudo, ter sido ainda menor, 4,30%, se a expectativa para a variação dos preços administrados não tivesse piorado por causa do choque nos preços dos alimentos. No cenário de mercado, o Relatório de Inflação de junho, baseado nas informações da Pesquisa Focus, trouxe projeção de 7% para a inflação em 2016 e 5,5% do final de 2017 até junho de 2018.

Também neste caso, a projeção para 2016 se elevou. Já para 2017, acreditamos que a projeção tenha caído. Para dezembro de 2017, estimamos projeção de inflação mais perto de 5,0%, e consequentemente, se distanciando do limite superior da meta do próximo ano, de 6,0%. As estimativas da consultoria indicam que a melhora das projeções para 2017 no cenário de mercado será mais intensa do que no cenário de referência e motivo é a mudança das projeções para a taxa Selic. 

No cenário de referência, as projeções para a Selic não tiveram alteração, mas no cenário de mercado, elas subiram. No Relatório de Inflação passado, o mercado esperava que a primeira redução da Selic ocorreria em agosto. Essa expectativa foi empurrada mais para frente. Portanto a Selic estará mais elevada por mais tempo. 

“As novas projeções indicarão que o recuo da inflação para 4,50% até o final de 2017 continua a ser factível e que, por outro lado, o cumprimento da meta segue sendo improvável, se o câmbio e a taxa de Selic evoluírem como o mercado espera. Logo, chegar em 4,5% ao final de 2017 continua também a ser desafiador”, avalia a MCM. Em relação às implicações do RTI para a condução da política monetária, a consultoria recorda que, recentemente, o BC relativizou o peso das projeções dos modelos no seu processo decisório e, ao mesmo tempo, listou as c

As condições são as seguintes:

(i) que a persistência dos efeitos do choque de alimentos na inflação seja limitada;

(ii) que os componentes do IPCA mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica indiquem desinflação em velocidade adequada; e

(iii) que ocorra redução da incerteza sobre a aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia, incluindo a composição das medidas de ajuste fiscal, e seus respectivos impactos sobre a inflação.