Inflação abaixo de 4%, uma exce

Veículo: Valor Economico 

Seção: Valor Invest 

A MCM Consultores Associados atualizou as projeções de inflação, câmbio e Selic, replicou o modelo de projeção do Banco Central (BC) e, no cenário de referência, chegou a inflação de 7,20% em dezembro de 2016, 4,50% em dezembro de 2017 e 3,90% em junho de 2018. Esses são os dados que a MCM espera ver no Relatório de Inflação de setembro. No cenário de mercado __ em que os prognósticos para os indicadores são transportados da Pesquisa Focus __ a inflação cai a 7,30% em dezembro deste ano, a 5,1% em dezembro de 2017 e segue em estabilidade nesse nível até junho de 2018. A inflação a 3,9% ao final do primeiro semestre de 2018 é um marco, se confirmada no RTI de setembro que será divulgado amanhã cedo, porque a inflação plena (no calendário gregoriano) ficou abaixo de 4% apenas uma vez, em 2006. Neste ano, a inflação efetiva foi de 3,14%, a meta era de 4,50% e a banda de flutuação, de 2 pontos percentuais para mais e para menos desse valor. O piso da banda era, portanto, de 2,50% e, o teto, de 6,50%. Até dezembro de 2016, a banda do regime de metas respeita esses parâmetros. A partir de 1º de janeiro de 2017, a banda recua para 1,50 ponto e os parâmetro mínimo e máximo caem, respectivamente, para 3% e 6%. 

Especialistas, inclusive ex­integrantes da diretoria do Banco Central, entendem que quanto mais a inflação efetiva se afasta da meta para baixo, se aproximando mais do piso estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), mais forte é a percepção de que o BC promoveu um aperto monetário mais rigoroso do que o necessário para conduzir uma inflação rebelde para a meta. O ex­presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou o seu primeiro mandato em janeiro de 2003, com a inflação acumulada em 12,53% no ano anterior. 2002 foi um ano para lá de especulativo com a perspectiva de vitória do PT __ confirmada em outubro __ atormentando todo o mercado. 

Ao final do primeiro mandato de Lula e de Henrique Meirelles na presidência do BC, a inflação medida pelo IPCA havia caído 9,39 pontos percentuais, saindo de 12,53% ao final de 2002 para 3,14% no encerramento de 2006. Esse ajuste brutal teve um custo. Em 2003, a Selic foi elevada até a máxima de 26,50% em fevereiro e caiu a 26% em junho. Os cortes continuaram e, em dezembro de 2003, a Selic estava em 16,50% Neste patamar estava a taxa básica em janeiro de 2004, chegando a cair até 16%, onde permaneceu por quatro meses, voltando a subir em setembro para fechar o ano em 17,75%. Em meados de maio de 2005, a Selic atingiu 19,75%Em meados de setembro de 2005, teve início mais um período de baixa. Em janeiro de 2006, a taxa estava em 18%, em julho a 15,25% e, em dezembro, a 13,25%. Foi em 2006, que a despeito da redução da taxa básica em 6,50 pontos percentuais, a inflação caiu a 3,14%. 

A taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) que havia declinado de 5,8% em 2004 para 3,2% em 2005, no último ano do primeiro mandato de Lula, em 2006, avançou 4%. É inegável que a combinação de crescimento econômico com inflação de 3,14% formou o cenário perfeito para a reeleição de Lula ao segundo mandato também encerrado com chave de ouro. 

Em 2010, Lula não teve dificuldade em eleger sua sucessora, Dilma Rousseff, com a economia avançando 7,5% (ainda que parte dessa alta deva ser creditada a efeitos estatísticos) com inflação fechando o ano em 5,91%Ao final de 2010 e taxa Selic deixando a manutenção a 8,75% que durou seis meses até a primeira elevação em abril, outra em junho e mais uma em julho, para 10,75%. O Copom só voltou a aumentar a taxa Selic em 19 de janeiro de 2011, para 11,25%, com a ex­presidente Dilma já instalada no Palácio da Alvorada.