Declaração fora de hora

Veículo: Valor Econômico

Sessão: ValorInveste

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, declarou, na terça­feira, em Buenos Aires, estar seguro de que a inflação vai convergir para 4,50% no ano que vem conforme programado. Ontem, quarta, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse em Nova York à Agência Bloomberg, que é “altamente provável” que a taxa de juros pode cair até o final deste ano.

Esta quinta­feira será, portanto, de expectativa com a participação de Ilan Goldfajn na 13ª edição do prêmio “As Melhores da Dinheiro” à noite, em São Paulo. As próximas declarações de Ilan serão particularmente relevantes para a orientação do mercado que já vem apostando para valer na queda do juro. Ontem, caiu de 65% para 30% a probabilidade de manutenção da taxa Selic nos atuais 14,25% ao ano. E saltou, de 35% para 70%, a chance de o Copom reduzir a Selic em 25 pontos­básicos no encontro de 20 de outubro __ a penúltima reunião do colegiado neste ano.

Os juros, denominados em contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) na BM&FBovespa, tombaram mas o volume de negócios caiu na comparação com a sessão anterior. Na terça­feira, o giro de DI de 1 dia totalizou R$ 244,06 bilhões; ontem, R$ 139,49 bilhões. O pregão na BM&F estava encerrado ou em vias de fechar as negociações no fim da tarde, quando começou a circular em algumas mesas de operações de bancos a notícia de que o ministro da Fazenda havia dado uma sinalização temporal para o afrouxamento monetário. A declaração de Meirelles de que é “altamente provável” a queda do juro até o final deste ano foi infeliz e poderá elevar o custo do atual ciclo de aperto monetário nada trivial.

Há mais de um ano a taxa Selic está em 14,25%. Em 29 de julho de 2015, o Copom elevou a taxa a esse patamar de onde ela não mais saiu. Há dois anos, em setembro de 2014, a Selic estava em 11%. Embora defensor da autonomia do BC e de não considerar positivo que se faça comentários sobre as decisões do Copom sobre juros __ como repetiu ontem à noite em entrevista ao enviado especial do Valor à Nova York, Juliano Basile __, o ministro Meirelles arriscou impor um retrocesso ao esforço empenhado pela equipe do próprio BC, há menos de três meses no cargo, para neutralizar a opinião formada no mercado financeiro de que Ilan Goldfajn seria um economista com perfil ‘dovish’.

“Eu sempre defendi autonomia do BC e acho que o ministro da Fazenda opinando sobre o que o BC deveria fazer é algo negativo. Então, eu não posso mudar de posição, pois sou eu, agora, o ministro. Eu continuo coerente com a ideia de que o BC tem que agir de forma autônoma”, disse o ministro da Fazenda ao jornalista do Valor ontem à noite. 

Nessa mesma entrevista, Henrique Meirelles disse que a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que cria o teto para despesas públicas pode ajudar na redução dos juros. “Isso deve diminuir os juros estruturais da economia, o que certamente ajuda o trabalho do BC por consequência. Mas o que o BC vai fazer com a Selic é outra hipótese”, ressaltou. O ministro afirmou que o Brasil tem juros estruturais muito altos, que atribuiu à Constituição de 1988 que fixou uma evolução estrutural das despesas na medida em que mais de 80% das despesas são fixadas pela Constituiç