Índice mostra que trajetória da inflação continua acidentada

Veículo: Valor

Seção: Economia

O resultado do IPCA de julho mostra que a trajetória da inflação continua acidentada, mesmo num cenário marcado por forte recessão. A alta de 0,52% foi muito influenciada pelo aumento expressivo das cotações dos alimentos, de 1,32%, mas o comportamento do indicador em 12 meses, dos núcleos e dos preços de serviços ainda não é dos mais animadores. No resultado acumulado em 12 meses, o IPCA teve uma queda modesta, de 8,84% para 8,74%, um número que segue muito acima do teto da banda de tolerância da meta, de 6,5%.

O índice de difusão, que mostra o percentual de itens em alta, ficou em 59,5%, superior aos 55,2% de junho, mas inferior aos 65,7% de julho do ano passado e aos 62,8% da média histórica, como aponta a MCM Consultores Associados. Os preços de serviços, por sua vez, mostraram aceleração, passando de 0,32% em junho para 0,62% em julho, o que fez o acumulado em 12 meses subir de 7,03% para 7,12%. Esse movimento, porém, foi muito influenciado pelo comportamento do item passagens aéreas ­ alta de 19,22% no mês passado.

Em junho, houve queda de 4,56%. Excluindo passagens aéreas, os serviços subiram 0,45% em julho, mais que o 0,37% do mês anterior. Também houve pressão também dos serviços bancários, que passaram de 0,58% em junho para 3,64% em julho. Indicadores que buscam eliminar ou reduzir a influência dos itens mais voláteis, os núcleos tiveram uma pequena queda no mês passado. Nas contas da MCM, a média das três principais medidas de núcleo caiu de 0,49% em junho para 0,47% em julho.

No acumulado em 12 meses, o recuo foi de 8,22% para 8,01%, um número muito acima da meta de inflação de 4,5%, ou mesmo do teto da banda de tolerância, de 6,5%. Esse comportamento dos núcleos dá uma boa medida da lentidão do processo de queda da inflação no país. Mesmo excluindo itens mais voláteis, o recuo do acumulado em 12 meses é vagaroso, apesar da recessão. A tendência de queda do IPCA ao longo do ano não parece comprometida pela pressão dos alimentos, mas ela é mais lenta do que seria desejável, e pode talvez levar o Banco Central (BC) a ser mais cauteloso na condução da política monetária.