Ministro do PRB ameaça deixar governo Temer

Veículo: Valor

Seção: Economia

Presidente nacional licenciado do PRB, o ministro Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços) ameaçou ontem deixar o cargo se o governo federal não conseguir avançar na aprovação de reformas como a reforma trabalhista e a previdenciária até o primeiro semestre de 2017.

A uma plateia de empresários, em São Paulo, o ministro disse que o presidente interino Michel Temer (PMDB) tem de apresentar ainda este ano as propostas de reformas estruturantes, ou não conseguirá aprová­las em seu mandato. Ao discursar na Associação Comercial de São Paulo ontem, o ministro defendeu a realização "urgente" de reformas tributária, trabalhista, previdenciária e política.

Pereira reclamou que a aprovação depende do Congresso e disse que o debate sobre esses temas não será feito antes das eleições. "Temos duas agendas que nos impede de avançar essas reformas: a agenda do processo de impeachment e a agenda eleitoral", disse. "Não adianta, não vamos conseguir avançar essas agendas antes da eleição, porque o tema contamina o calendário eleitoral", afirmou o dirigente do PRB, partido com 22 deputados federais. Diante da dificuldade no Congresso, Pereira afirmou que Temer precisa encaminhar as propostas "no máximo até o final de novembro". Em seguida, disse que deixará o ministério de o governo não se empenhar na aprovação dessas medidas. "Precisamos ter coragem para fazer e defender que essas propostas sejam aprovadas no primeiro semestre do ano que vem. Vou dizer uma coisa: se nós não aprovarmos isso até o final do primeiro semestre do ano que vem, não vai aprovar nesse governo.

Não vai", disse. "Já disse para meus colegas no governo, para o presidente e para empresários: se não avançar e se eu perceber que não vai avançar, eu não tenho intenção nem disposição para continuar no governo, porque eu fui para cumprir uma missão de país", afirmou. "Se eu perceber que não se vai avançar, eu volto para meu escritório de advocacia que está me esperando de portas abertas", repetiu. Aos empresários, Pereira disse que o governo interino tem de aprovar as reformas, ainda que sejam impopulares. Em seguida, disse não ver nada de "impopular" nas medidas em estudo e fez uma defesa enfática da reforma trabalhista, com a aprovação da terceirização, do "trabalho intermitente" e de que o "acordado prevaleça sobre o legislado". "Se olharmos com o olhar só político nós não conseguiremos avançar", disse. O ministro afirmou que tem se reunido com senadores para buscar apoio para garantir o afastamento definitivo de Dilma Rousseff da Presidência e disse que "nos próximos 20 dias" trabalhará pela aprovação do impeachment. Pereira reclamou da presidente afastada e disse que Temer precisa "mostrar que país virou a página da ideologia". "A ideologia, ao nosso ver, está fora de moda", disse.

Apesar das críticas à presidente afastada, o PRB de Pereira participou da gestão Dilma até março e comandou os ministérios da Pesca e de Esporte nos governos petistas. Durante a palestra, o ministro comentou que foi alvo de protestos de servidores públicos do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) em Brasília e relatou que depois de um encontro com funcionários do órgão foi recebido com faixas de "fora Temer, fora Marcos Pereira e fora [Eduardo] Cunha" ­­ deputado do mesmo partido do presidente interino.