A transformação digital no varejo de moda

Veículo: O Negócio do Varejo 

Seção: Notícias 

A interatividade digital é uma realidade contínua que está mudando o mundo, as relações interpessoais, o modo como vemos, lemos, compramos e vivemos.

Seja ele da geração x, y, ou z o seu possível cliente está conectado em algum dispositivo inteligente e eletrônico. A dissipação da internet e o aumento da conectividade mudaram as formas de comunicação, criaram sede por interação e abriram um mar de possibilidades para inovação.

Vivemos em constante mutação e a transformação quase geral pode acontecer com alguns (milhares) de clicks e downloads. A febre agora se mede pelo dedo, que clica. Muitos varejistas incorporaram o multi-channel e fazem ações interessantes bem planejadas (vide Nespresso, Burberry…), outros criam uma plataforma eletrônica (site!)  para estar “in”, coloca alguns Ipads nas lojas só com imagens da campanha e/ou dos produtos e diz que está acompanhando a tendência. Vamos lá, primeiro vale refletir e entender que a situação (o crescimento da interatividade digital, do uso de aplicativos, do número de smartphones, do aumento das vendas online e etc) não é uma tendência passageira como foram o color-blocking ou as calças detonadas. Isso é uma realidade contínua que está mudando o mundo, as relações interpessoais, o modo como vemos, lemos, compramos e vivemos.

Um dia desses um empresário me disse:

“ Já temos o plano de desenvolvimento e a estratégia de comercialização. Agora só falta pensar em como vamos fazer algo bacana para o mundo digital.”

Perguntei para ele se existia dois mundos. Antes mesmo que ele me respondesse completei dizendo que só existe um e que nesse o  modus operandi dos consumidores é integrado. Faz muito sentido dizer que o online/digital/virtual/eletrônico (como queiram chamar) deve ser incorporado no planejamento ainda quando o projeto está em fase de power point (profissionais do varejo) ou InDesign (galera do criativo).  Há mais chances de sucesso quando se tem um pilar decorado do que um puxadinho amarrotado.

Espelho Mágico

Não basta ter conta no Instagram e publicar fotos dos seus produtos. Já pensou em ter uma linha editorial para cada mídia social ? Você não precisa estar em todas, mas cada um funciona melhor de um jeito. Já ouviu falar em SEO ? Isso vai fazer a sua empresa ser relevante para o Google e nas pesquisas seus produtos/serviços aparecerão na frente dos outros. Está sabendo que espera-se que até 2019 80% do conteúdo da internet seja em vídeo? Seus funcionários estão sabendo do retorno do Pokémon? Já ficou frente a frente de espelho mágico ? Já viu vitrine interativa que coloca o passante para dentro da janela? Já pegou num cabide que conta likes do Facebook?

Varejistas e marcas como Ugg, Uniqlo e Neiman Marcus estão usando tecnologias do espelho “memória”, usando etiquetas e códigos  que permitem os clientes de experimentar roupas virtuais em diferentes cores e estilos na loja. O cliente fica curioso, interessado e passa mais tempo no estabelecimento. O que isso quer dizer: há mais chance de retorno sobre footfall, é muito provável que essa pessoa compartilhe esse momento através das redes sociais – aumentando a visibilidade da loja/marca de maneira espontânea e isso é uma excelente maneira de captar data/informação.

Hoje o seu seguidor pode ser o seu comprador, mas é melhor ainda quando você faz com que ele se torne espontaneamente o seu vendedor! Encante, crie experiências e esteja sempre presente na vida dele que isso vai acontecer.

Lembre-se que ele está sempre com o celular na mão e se for um millennial … ele checa o seu smartphone em média 43 vezes ao dia,  90% desse grupo está no Facebook e 25% atualiza as redes sociais pelo menos uma vez ao dia. Já leu esse artigo? A youngização e a força dos millennials

A Rebecca Minkoff, nos EUA, está se mostrando um case de sucesso. A marca adicionou recursos touchscreen em suas lojas permitindo que os consumidores peçam bebidas, naveguem pelo catálogo da loja, e interajam com funcionários. A Bloomingdales já colocou iPads nos provadores para que os clientes pudessem ler comentários sobre as peças e conferir o estoque e as opções de tamanhos. Essa também era uma maneira da loja sugerir outras peças que pudessem complementar aquilo que a pessoa estava prestes a experimentar. Um dos resultados: possível aumento do ticket médio.

A transformação digital está no core business. O Brasil agora tem uma população digital de aproximadamente 94.3 milhões pessoas. É muita gente! Sabia que o Youtube é mais acessado que o próprio Facebook? Percebeu que o número de tweets aumentou bastante recentemente? De 2014 pra 2015 houve um aumento quase 100% do uso desse rede no Brasil. O Instagram cresceu ainda mais. O Snapchat que quase ninguém acreditava está mostrando a sua força. Já ouviu falar no poder do Kiu e de Thaynara Og? Procure saber….

Falando em força de engajamento e influenciadores aproveito para dividir com vocês um case da Monte Carlo Joias. A empresa criou uma coleção em parceria com meninas que são sucesso no Youtube – podem chamá-las de youtubers (por favor não confundir com blogueiras).

Há algum tempo atrás eram as celebridades do cinema e da televisão que ditavam as tendências, mas de alguns anos pra cá a internet e a moda se aproximaram pelas particularidades e semelhanças de suas dinâmicas como o individualismo e a constante atualização. Essa relação mudou totalmente a engrenagem do sistema. Blogueiros e youtubers chegam a ser muitas vezes mais influentes do que estrelas do plim plim. A Monte Carlo parece que acertou em cheio nessa ideia de co-criação com cinco feras do Youtube. Kéfera Buchmann, Taciele Alcolea, Niina Secrets, Bruna Vieira e Bianca Andrade criaram charms (pingentes) exclusivos para a linha Jolie da joialheria.

“Nós selecionamos esses verdadeiros fenômenos da internet que juntas impactam mais de 13 milhões de fãs com diferentes estilos”, disse Patrícia Brazil, do Grupo It Brazil, que viu muita oportunidade em conectar marcas com influenciadores digitais e assinou esse projeto de sucesso com a Monte Carlo. O lançamento dessa coleção em São Paulo levou uma multidão ao Shopping Eldorado, as lojas Monte Carlo de todo o país e é claro ao e-commerce da empresa.

Sou fã da Patrícia. Aproveitei e pedi para ela participar desse artigo. Fiz uma pergunta simples:

– Você sentiu mais dificuldade na negociação com as marcas para fazer projetos digitais já que estamos em um período de recessão e ainda existe resistência de alguns ao “mundo virtual”?

“Acredito que as marcas estão notando cada dia mais a importância do digital! Num ano de crise econômica, não senti uma diminuição na procura por projetos que conectassem as marcas com influenciadores digitais porque o investimento é relativamente mais baixo se comparado a uma mídia tradicional como a TV….e traz um resultado imediato. A forma de se comunicar mudou e uma prova disso é que crianças raramente assistem TV. Adolescentes muito menos… Os jovens estão divididos. Todos consomem entretenimento no smarthphone, tablet ou computador e é ali que as marcas que querem se comunicar….”, respondeu.

Vejam que essa foi um estratégia que incluiu o online desde o princípio do projeto. Não precisou de pesquisas estratosféricas ou de compra de tecnologias complicadas. É preciso pensar no propósito, no público, na relevância e em como criar desejo. Cada caso é um caso. É importante o savoir faire (saber fazer) e fazer direito. A transformação digital está rolando e todo mundo pode surfar. Batida, snaking, tubo, 360… São várias manobras. Vale até jacaré. Melhor tentar do que levar caldo e se afogar.