No setor de moda, mais aquisições a caminho

Veículo: Datamark 

Seção: Notícias 

O cenário macroeconômico no país tem favorecido as operações de fusões e aquisições no setor de moda, que foi afetado pela queda nas vendas e a consequente dificuldade em fazer caixa ou obter recurso com bancos para pagamento de dívidas. Segundo levantamento da KPMG, no primeiro trimestre ocorreram cinco operações de fusões e aquisições com empresas de moda no Brasil, comparado a uma transação no mesmo intervalo de 2015.


Entre as operações estão a compra da marca de calçados e bolsas Shoestock pela Netshoes e a aquisição de 52% da Daslu, que pertencia ao Laep Investments, para um grupo de investidores que inclui o empresário Crezo Suerdieck Dourado e o advogado Felício Rosa Valarelli Júnior. A negociação de fusão entre a Restoque e a Inbrands, anunciada recentemente, não está incluída no levantamento.


Para Luiz Motta, sócio líder de fusões e aquisições da KPMG, a tendência para o ano é de um número maior de operações no setor. "O último ano foi muito difícil para o varejo por causa da queda do consumo e do aumento dos juros para financiar os negócios. A junção de operações torna-se uma opção para melhorar rentabilidade porque gera redução de custos fixos e aumento de poder de negociação com fornecedores, shopping centers e bancos", afirmou Motta.


Os níveis de alavancagem das companhias abertas do varejo de moda variaram pouco nos últimos cinco trimestres, apesar da piora de outros indicadores de desempenho do setor.
Considerando as oito maiores companhias abertas de vestuário e calçados - Renner, Guararapes (Riachuelo), Alpargatas, Marisa, Grendene, Hering, Arezzo&Co e Restoque -, a relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em 0,5 no primeiro trimestre do ano. Esse nível de alavancagem é menor que o registrado tanto no fim de 2015 quanto no primeiro trimestre do ano passado: 0,6.


A perspectiva, no entanto, é de piora no indicador devido às perspectivas ainda pessimistas no setor. Entre as companhias abertas de varejo de moda, a Restoque é a única com alavancagem preocupante, com uma relação dívida líquida/Ebitda de 8,6. A companhia anunciou que negocia uma fusão com a Inbrands, sendo que a empresa resultante receberá uma capitalização de R$ 500 milhões.


Luiz Cesta, analista da Votorantim Corretora, considera que a fusão seria problemática à Restoque porque a Inbrands tem uma relação dívida líquida / Ebitda de 4,6, ante 3,5 da Restoque. Na operação combinada, esse indicador atingiria 4, nível ainda preocupante de risco de insolvência. Cesta também afirma que a integração das operações deve levar mais de um ano como ocorreu na fusão com a Dudalina, elevando os custos com reestruturação no curto prazo.