Discurso duro dribla fama de 'dovish' e reforça credibilidade de Ilan

Veículo: Valor Economico

Seção: Valor Invest 

O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgado ontem à noite com a taxa Selic inalterada em 14,25% pela sétima vez consecutiva já empurrou grandes bancos para a revisão da trajetória do atual ciclo monetário. Itaú Unibanco e Bradesco adiaram de julho para agosto a expectativa para o primeiro corte da taxa Selic, após o mais longo aperto da história do comitê criado há 20 anos. Os dois maiores bancos privados do país __ Itaú e Bradesco __ anunciaram também nesta manhã o aumento na projeção da taxa Selic em 50 pontos­base, elevando a taxa do fechamento do ano a 12,75%. 

Outras instituições devem promover semelhante revisão pautadas pelo discurso de Ilan Goldfajn na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), em que ele firmou o compromisso de cumprir a meta de inflação, de 4,50%. A pesquisa do Valor PRO sobre a taxa Selic, feita com 38 instituições na semana passada, mostrou que apenas 9 já estavam posicionadas com projeção de juro a 12,75% em dezembro deste ano __ o que significa pouco mais de 23% as apostas. 

A ‘prorrogação’ do aumento de juro não é uma surpresa mas uma parte do mercado já alertava investidores, dias antes, para a possibilidade de o novo presidente do BC fazer um discurso mais duro para compensar a avaliação de que é mais ‘dovish’ do que muitos pensam. Um discurso mais duro logo na chegada __ feito no Senado portanto __ poderia minimizar os efeitos dessa fama e reforçar a credibilidade do novo presidente do BC, segundo avaliação de alguns economistas ouvidos pelo Casa das Caldeiras. 

Hoje, o presidente interino Michel Temer faz para Ilan uma cerimônia de posso, previamente marcada para às 17 horas, mas não está previsto que o novo titular do BC fará um discurso. Discurso é esperado, porém, para a segunda­feira, quando Alexandre Tombini transmitirá o cargo a Ilan Goldfajn, no Banco Central. 

Em tempo: o comunicado do Copom de junho foi idêntico ao da reunião de abril, com alerta de que a inflação em 12 meses e suas expectativas estão distantes dos objetivos do regime de metas e não oferecem espaço para flexibilização da política monetária.