Para Temer, Brasil não quer ideologia na economia, mas resultados

Veículo: Folha de S. Paulo

Seção: Mercado

Na tentativa de restabelecer a confiança naeconomia nacional e ganhar o respaldo do setor produtivo, o presidente interino, Michel Temer, avaliou nesta quarta-feira (8) que a sociedade brasileira quer resultados, não ideologias na área econômica.

Em uma crítica indireta à administração anterior, defendeu que o país precisa ser "reinstitucionalizado", porque perdeu-se o respeito pelas instituições nacionais, o que gerou conflitos entre brasileiros.

"O primeiro direito social é o emprego e ele só virá se houver a atuação da iniciativa privada. Confesso que essa coisa de ideologia hoje está fora de moda e o que as pessoas querem é resultado", disse.

Em reunião com empresáriosindustriais, agropecuários e varejistas, o presidente interino anunciou que enviará na semana que vem ao Congresso Nacional proposta que estabelece teto de gastos para a máquina pública.

Ele enfatizou a importância da paridade entre arrecadação e gasto, fazendo o Brasil volte a "arrecadar um e gastar um". "A limitação de gastos que será revisada apenas em relação à inflação do ano anterior é o que nos permitirá gastar novamente um e arrecadar um", disse.

Segundo ele, se por algum motivo não estiver mais na gestão federal e a equipe econômica for mantida, "o país já estará salvo". Ele lembrou que a administração peemedebista ainda é transitória, mas que tem trabalhado como se fosse definitiva, para evitar que o país pare.

Ele lembrou que a consolidação de novos fundamentos para a economia brasileira não será feita "de hoje para amanhã"." Não estamos encontrando um país com harmonia social, mas um país com déficit extraordinário e com empresas públicas quebradas", criticou.

Em referência a grupos de esquerda que têm protestado contra o governo interino, o peemedebista acusou "alguns movimentos" de desobedecerem a ordem jurídica e disse que tem sido vítima de "agressões" e "inverdades". "Enquanto protestam, nós passamos", disse.

JUROS

Em discurso antes do peemedebista, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias dos Estado de São Paulo), Paulo Skaf, defendeu que a carga tributária não seja elevada, que os gastos governamentais sejam reduzidos, que as taxas de juros sejam diminuídas e que a oferta de crédito ao setor produtivo seja ampliada.

O secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), Moreira Franco, disse que a atual equipe econômica não quer resolver os problemas do país com "fantasia" e não defende o aumento da taxa de juros.

"Não estamos querendo resolver esses problemas pela fantasia ou pelo discurso, mas por uma equipe econômica alinhada do ponto de vista de orientação econômica, sem divergência ideológica", disse, ressaltando que não se tinha uma equipe econômica semelhante desde a gestão do economista Delfim Netto, que chefiou o Ministério da Fazenda na ditadura militar.

Segundo ele, o principal problema do país é uma "crise de confiança brutal" nas regras, procedimentos e contratos do país, causada pela crise política e pela indefinição institucional em relação ao processo de impeachment.

"Nós temos de conviver com ela [indefinição sobre impeachment] e construir as bases de uma prática que demonstre transparência e rigidez", afirmou.

Ao todo, participaram do encontro em torno de 200 representantes do mundo empresarial. Depois do encontro, o presidente interino convidou alguns dos presentes para um almoço no Palácio do Jaburu.