A recomendação é diversificar, sempre

Veículo: Valor Econômico

Seção: Finanças 

O cenário político em ebulição, a inflação alta e as incertezas econômicas são alguns dos ingredientes que já fazem de 2016 um dos anos mais desafiadores ao investidor brasileiro da última década. E estamos apenas na metade dele. Nestes momentos de incertezas e de falta de uma resposta rápida do mercado, o investidor escolhe a segurança como o primeiro critério para definir qual será o seu investimento. Mas é possível garantir que determinada escolha devolverá um resultado 100% seguro? Não.

Investir é correr risco e o investidor deve sempre ter claro em sua mente qual o tamanho do risco que ele está disposto a correr. Portanto, a segurança para o investidor pode ser traduzida em uma única certeza: diversifique seus investimentos. Isso significa que o investidor terá o seu dinheiro dividido entre diferentes opções de investimento, que estão vinculadas a distintas classes de ativos e os ganhos em algumas delas compensarão a perda em outras. 

Para diversificar, o investidor deve procurar um especialista já com o seu objetivo definido. Ou seja, deve saber responder: Por que vou investir o meu dinheiro? O primeiro passo é o mais importante, pois a partir daí as decisões ­ de onde colocar o dinheiro ­ serão tomadas. Antes, um mito deve ser quebrado: é necessário ter uma alta quantia de dinheiro para fazer a diversificação valer a pena? Não. 

Existem excelentes alternativas de investimento que demandam baixo volume de recursos, como o Tesouro Direto: um programa do Governo Federal que permite acesso aos títulos da dívida pública com valores a partir de R$ 30,00. Dessa forma, o investidor terá acesso a uma opção atrelada à evolução da taxa Selic (Tesouro Selic ou antiga LFT), duas opções prefixadas (Tesouro Prefixado ou antiga LTN) e diferentes opções de vencimento atreladas à inflação (Tesouro IPCA ou a antiga NTN­B). 

Além disso, por meio de uma corretora de valores, o investidor também pode atuar no mercado acionário com valores acessíveis. É possível comprar lotes fracionários, que permitem o acesso aos papéis de grandes companhias através de uma fração de seu valor, ou ainda comprar os lotes inteiros. 

O Ibovespa, principal índice das ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo, começou o ano de 2016 com o mais alto percentual de retorno quando comparamos com outros investimentos, como o Índice de Mercado Anbima ­ série B (IMA­B) e o Depósito Interbancário (DI). Entretanto, nos últimos quatro anos, a bolsa entregou aos seus investidores um dos menores percentuais de retorno. Já o índice S&P 500, um dos principais índices da bolsa dos Estados Unidos, em 2013, foi o responsável pelo mais alto percentual de retorno ao investidor, mas desde 2014 apresenta baixo retorno. 

Outra importante carteira de investimento é a que considera o Índice de Renda Fixa do Mercado, que aparece como um dos mais estáveis, sem grandes oscilações, considerando os últimos quatro anos e os primeiros meses de 2016. Já o dólar, que nos últimos três anos garantiu alto percentual de retorno aos seus investidores, em 2016 não desponta como uma boa opção. 

Os exemplos acima mostram que não existe uma fórmula para não correr risco com a volatilidade do mercado. Também não é tarefa fácil acertar o momento de entrar e sair em cada investimento ou comprar um ativo na baixa e vender na alta. O que o investidor deve fazer? Diversificar, sempre. 

Augusto Miranda é diretor de gestão de patrimônio do HSBC Brasil