Moda rápida e crise forçam fábricas de vestuário a acelerar a produção

Veículo: Folha de S. Paulo

Seção: Colunistas - Mercado Aberto

Para acompanhar a tendência de frequentes trocas de coleções típicas do "fast fashion", fabricantes de roupas fazem investimentos para acelerar a entrega.

"Diminuir o tempo virou questão fundamental", afirma Eduardo Bertoldi Salvo, diretor-geral da Brandili, que tem duas plantas no interior de Santa Catarina.

A empresa investiu R$ 20 milhões na automação do armazém e da expedição.

O caso não é único: a empresa de robotização da logística responsável pelo projeto tem seis contratos com outros produtores de vestuários.

A recessão econômica também pressiona os produtores a entregar mais rápido. "Em crise, lojista não aposta em estoque. Ele compra de acordo com a saída", diz Salvo.

Na atual economia, não só comerciantes, mas também fabricantes evitam ficar com sobras de peças, segundo Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit (associação da indústria têxtil).

"O câmbio desvalorizado ajuda os produtores brasileiros, mas eles precisam integrar mais os elos de produção para ganhar velocidade."

Para ter celeridade é preciso fazer ajustes nas linhas de produção das fábricas, diz.

A Comask, que faz calças jeans para outras marcas, comprou novas máquinas de lavar, que são importantes para dar às peças o efeito de envelhecidas. Essa parte da produção ficou dois dias mais rápida, e agora dura 12 dias.

"Há seis meses, os lojistas pediam com 60 dias de antecedência. Agora, caiu para 45", diz o diretor comercial Fábio Américo.

A empresa estuda comprar uma balança para contar as calças com agilidade –hoje, isso é feito manualmente.

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OVO DE CODORNA

Fabricantes de chocolate esperam uma Páscoa com crescimento mais tímido.

A Mondelez segurou o preço de 60% de sua linha de produtos para não afugentar o cliente.

"Devemos crescer entre 3% e 6% em participação de mercado", diz Augusto Lemos, presidente interino.

O Grupo CRM, dono de Kopenhagen e Brasil Cacau, considera "já muito positivo" se tiver vendas estáveis neste ano, diz Renata Vichi, vice-presidente.

A companhia abriu mão de parte da margem de lucro para subir os preços abaixo da inflação, 7%.

"Investimos em novos produtos para tentar aumentar o tíquete médio do consumidor", diz Vichi.

A Cacau Show também espera que os lançamentos, que representam quase metade dos produtos, ajudem a atrair o cliente às lojas.

"Conseguimos reduzir os custos em razão do volume de produção", diz Alexandre Costa, presidente.

A Arcor preferiu investir nos ovos infantis, com brindes comprados da China, que garantem maior margem para a companhia.

"Os pais não conseguem substituir os ovos com brinquedos por chocolate em barra para os filhos", conta Nicolas Seijas, da empresa.

Na Village, a estratégia foi negociar com fornecedores.

"Explicamos a eles que precisam ajudar. Se o preço subir, ninguém vende", diz Reinaldo Bertagnon, da companhia.

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Mercado de leilões de carros inadimplentes cresce com crise

A alta na inadimplência de veículos financiados impulsionou o mercado de leilões de carros retomados.

O volume de vendas cresceu 20% no começo deste ano, em comparação com os mesmos meses de 2015, afirma a leiloeira Liliamar Pestana.

"Até 2014, o banco renegociava mais. Hoje há mais entregas espontâneas, de quem já sabe que não vai pagar", diz o leiloeiro Ronaldo Milan.

Além disso, os bancos elevaram a cobrança sobre os inadimplentes e a taxa de retomada de carros, diz Beto Costa, CEO da BCA Brasil.

A empresa, que neste ano passou a leiloar carros do Santander, espera dobrar o número de vendas para 9.600.

O Banco do Brasil diz que em 2015 houve um "ligeiro aumento" nas retomadas. O Bradesco afirma que o número permanece estável.

Mas a oferta deve cair nos próximos meses. "A alta foi resquício de carros financiados antes da crise se agravar. Agora, o número de financiamentos caiu", diz Milan.

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DINHEIRO CONTADO

O Banco do Brasil lançou serviço de concessão de microcrédito para empreendedores sem exigência de abertura de conta corrente.

A ideia é facilitar o processo de obtenção de empréstimos tanto para aqueles formalizados quanto para os sem CNPJ.

"O empresário pode sacar o dinheiro direto na agência ou usar um cartão pré-pago para quitar contas", diz Asclepius Soares, gerente-geral.

É preciso ter ao menos seis meses de atividade para pleitear o serviço.

No Santander, o empreendedor informal é o principal cliente do microcrédito.

"Fazemos um levantamento socioeconômico para garantir que o empreendedor não assuma um gasto que não consiga pagar", diz Jerônimo Ramos, superintendente de varejo da entidade.

O interessado pode receber o valor via ordem de pagamento ou transferência para contas de outros bancos.

O mesmo sistema é disponibilizado no Itaú, que exige um ano de existência do negócio para liberar o crédito.

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Lição...
A Escola Nacional de Seguros registra este ano um aumento médio de 25% na procura por cursos.

...segura
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