Produção de roupa cai 12,5%

Veículo: Valor

Seção: Economia

As fabricantes de vestuário fecharam o primeiro bimestre com queda de 12,5% na produção, em comparação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Sindicato das Indústrias de Vestuário e Confecção do Estado de São Paulo (Sindivestuário). No acumulado de 12 meses até fevereiro, o setor havia apresentado uma queda de 10,8%. Para Ronald Masijah, presidente do Sindivestuário, o setor tende a apresentar um desempenho no ano pior do que em 2015, quando o setor fechou com queda de 19,7% e 2 mil confecções fecharam as portas.

Ao todo, 60 mil postos de trabalho foram fechados na área. "As vendas do Natal foram pífias e o varejo de moda depende dessas vendas para formar capital de giro suficiente para operar no primeiro semestre do ano", diz Masijah. Segundo ele, dois terços das vendas das confecções são feitas no segundo semestre. Com o desempenho fraco de 2015, as empresas estão sem capital de giro. "Do jeito que a situação está o setor vai fechar mais que 2 mil empresas este ano", disse o executivo. Ele estima que existam 30 mil confecções no país.

As grandes varejistas de moda tentam substituir parte dos produtos importados por roupas fabricadas localmente, mas essa compra nova não chega a beneficiar 10% das confecções no país, de acordo com o Sindivestuário. "O mercado interno está parado. A maioria das confecções estão em situação muito difícil", disse. Masijah participou ontem de uma reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com representantes das indústrias e disse que é "consenso que não haverá melhora no país sem a saída do governo". "Se a Dilma Rousseff não sofrer impeachment ou renunciar, os números vão ser piores em 2016".