Sem fôlego, salários perdem para inflação

Veículo: Valor Econômico. 

Seção: Notícias. 

Os reajustes salariais firmados em convenções e acordos coletivos no país registraram a terceira queda real consecutiva em janeiro. De acordo com levantamento feito pela plataforma salarios.org.br, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a mediana dos 374 dissídios negociados no primeiro mês deste ano chegou a 10%, uma retração de 1,3% quando descontado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses. 

A folha total de salários dos trabalhadores formais em regime CLT, estimada com base nos depósitos do FGTS feitos à Caixa, somou R$ 94,4 bilhões em novembro (dado mais recente disponível), volume semelhante ao de outubro e 5,9% menor do que no mesmo período de 2014. Os dados são dessazonalizados e corrigidos pelo IPCA.

Entre os setores, o de extração e refino de petróleo foi aquele que registrou maiores perdas nos últimos 12 meses, com a mediana de reajustes no período negativa em 3,9%. Um dos segmentos mais resilientes à desaceleração do mercado de trabalho, os serviços sofreram recuo de 0,9% nos salários, já descontada a inflação. Na outra ponta da lista, o ramo de confecções e vestuário auferiu os maiores ganhos reais, com alta de 1,2%. 

Na distribuição geográfica dos reajustes, a região Norte registrou as maiores retrações na remuneração. Pelo critério da mediana dos últimos 12 meses, Roraima, Amapá e Amazonas fecharam acordos com perdas reais de 1,3%, 0,3% e de 0,3%, nessa ordem. Paraná e Santa Catarina, ambos na região Sul, obtiveram as maiores altas reais, de 0,2% em ambos os casos, percentual semelhante ao apurado na Bahia e no Rio Grande do Sul. 

O boletim "salariômetro" atualizou ainda o acompanhamento dos acordos de redução da jornada de trabalho com corte de salários feitos no país. Desde janeiro do ano passado, eles somam 311 instrumentos, 216 só no setor metalúrgico. Do total, 88, cerca de 28%, foram feitos através do Programa de Proteção ao Emprego (PPE). 

Lançado pelo governo federal em julho do ano passado, o PPE conta com os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que compensa parte da parcela dos salários reduzida durante sua vigência. Com adesões registradas desde agosto pelo site Mediador, do Ministério do Trabalho, o programa contou o maior número de acordos no último mês de janeiro, 39, quase metade do total. 

A plataforma analisou 964 negociações com início de vigência em janeiro, dos quais 374 tratavam de reajustes salariais. A mediana dos pisos fechados no mês encolheu de R$ 1.032 em dezembro para R$ 940, valor 6,8% superior ao salário mínimo, de R$ 880. Em janeiro de 2015, a diferença entre mediana dos pisos e mínimo era de cerca de 10,7%.