No ano passado, o desempenho do setor industrial foi o pior em 2 décadas, diz CNI

Veículo: Valor

Seção: Economia

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vê 2015 como "o pior ano da indústria nas duas últimas décadas". A avaliação é do gerente­executivo de Política Econômica, Flavio Castelo Branco. "A queda em todos os indicadores foi muito mais forte e pronunciada do que em 2009", disse. "A recessão é generalizada na economia brasileira, mas os dados do setor industrial são mais negativos que nos demais segmentos." Para ele, "isso reflete o quadro de incerteza da economia, as dificuldades associadas à questão fiscal e à inflação, que minam o horizonte dos agentes produtivos".

Esse cenário foi o responsável pelos dados negativos apresentados nos "Indicadores Industriais". As horas trabalhadas tiveram a 11ª queda consecutiva, 0,9% em dezembro ante novembro na série dessazonalizada. A retração foi de 10,3% em 2015 em relação a 2014. A Utilização da Capacidade Instalada terminou o ano em 77,5% (80,6% em dezembro de 2014 e levemente acima dos 77,3% de novembro do ano passado.

Na comparação entre 2015 e 2014, o recuo foi de 2,3 pontos percentuais. A média anual do indicador foi de 78,9% em 2015, a pior verificada desde o início da série, em 2003. O indicador de emprego caiu 0,2% em dezembro e 6,1% na comparação anual. Isso levou a uma queda da massa salarial real de 6,2% em 2015 ante 2014. O rendimento médio real foi o único indicador a subir em dezembro, com um avanço de 0,8% frente a novembro. Isso não foi suficiente, entretanto, para impedir uma queda em 2015.

Na comparação entre os dois últimos anos, houve recuo de 0,1%. Esse desempenho se deve a uma resiliência do indicador que é indexado à inflação. O faturamento do setor caiu 0,6% em dezembro frente a novembro e 8,8% entre 2014 e 2015. O cenário permanece negativo para 2016, segundo o economista da CNI. "As expectativas são de novo ano de queda de consumo e investimento. Há uma certa expectativa de reação nos segmentos mais integrados na economia internacional, por conta da mudança no patamar do câmbio", resumiu ele. Segundo o economista, "a saída pelas exportação em 2016 é insuficiente para reverter a recessão". A situação também não será resolvida pelo pacote de estímulo ao crédito da semana passada, disse.