Dono da Luigi Bertolli pede recuperação judicial

Veículo: Valor

Seção: Economia

O Grupo GEP, dono das redes varejistas de moda Cori, Luigi Bertolli, Emme e Offashion, e que no Brasil é franqueado exclusivo da marca americana Gap, entrou na sexta­feira com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo ­ SP, segundo o Valor apurou. O pedido será avaliado pelo juiz Marcelo Barbosa Sacramone nos próximos dias.

De acordo com o pedido protocolado, o grupo pede a recuperação judicial para garantir a manutenção de suas atividades, enquanto faz a readequação do nível de dívidas à sua capacidade de geração de caixa atual. O endividamento do grupo é de R$ 513,25 milhões. Desse valor total, R$ 186,8 mil são dívidas trabalhistas, R$ 34,7 milhões são dívidas com garantia real, R$ 472,6 milhões referem­se a dívidas de credores quirográficos (sem garantia real) e R$ 5,7 milhões são dívidas com micro e pequenas empresas.

O pedido foi feito pelas empresas Blue Bird Participações S.A., GEP Indústria e Comércio Ltda, Tudo Bem Tudo Bom Comércio Ltda. (TBTB) e Oásis Empreendimentos e Participações Ltda., que juntas formam o Grupo GEP. O GEP começou suas atividades em 1957, com a varejista de moda feminina Cori. Na década de 80, o grupo lançou a rede Luigi Bertolli, para os públicos masculino e feminino. Em 2008, foi a vez da marca Emme, com foco em moda rápida. Em 2011 abriu o outlet multimarcas Offashion e, no ano seguinte, torno­se franqueado exclusivo da varejista americana Gap no Brasil. Atualmente, o GEP opera 97 lojas no país, sendo 46 pontos da marca Luigi Bertolli, 18 Emme, 16 Cori, 10 Gap e 7 Offashion.

O grupo possui aproximadamente 1,6 mil funcionários. Em 2015, atingiu um faturamento de R$ 544 milhões, de acordo com o pedido de recuperação judicial. A empresa não comentou sobre o assunto. No pedido de recuperação, consta que o volume de vendas do grupo como um todo diminuiu consideravelmente no ano passado e as empresas se viram obrigadas a conceder descontos elevados devido à retração do mercado, o que comprometeu a sua rentabilidade. O grupo também foi impactado fortemente pela desvalorização do real. Parte dos fornecedores das redes varejistas são estrangeiros e o custo dos produtos importados aumentou significativamente.

O grupo alega no ainda pedido que a Gap cometeu erros consecutivos em suas coleções mundiais nos últimos anos, o que gerou uma crise no grupo americano e afeta também o desempenho do grupo brasileiro desde 2013. Em junho do ano passado, a Gap anunciou um plano para fechar 175 lojas na América do Norte. De acordo com o pedido, a Blue Bird, holding que controla o Grupo GEP, se viu obrigada a tomar vários empréstimos no mercado financeiro para custear as operações e, com a elevação da taxa de juros no último ano, a manutenção do equilíbrio financeiro tornou­se insustentável.

Se for deferido o pedido de recuperação judicial, o Grupo GEP terá seis meses para discutir o seu plano de pagamento das dívidas com os seus credores, que podem concordar ou não com a proposta. Se não aprovarem, o grupo tem a falência decretada. Enquanto corre o processo de recuperação judicial, as ações e execuções de dívidas ficam suspensas. De acordo com o pedido, o GEP será representado pelo escritório Renato Mange Advogados Associados.