Renda cai pela primeira vez em 11 anos

Veículo: Folha de S.Paulo

Seção: Notícias 

A alta no desemprego provocada pela crise em 2015 e a inflação elevado resultaram na primeira queda na renda do trabalhador em 11 anos nas seis maiores regiões metropolitanas do país.

De acordo com dados divulgados pelo IBGE nesta quinta (28), a taxadedesemprego foi de 6,8% na média de 2015, dois pontos percentuais acima da de 2014 (4,8%) e a pior desde 2009 (8,1%).

“Regredimos em um ano o que tínhamos progredido em cinco”, disse Rafael Cagnin, economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).
A renda do trabalhador foi de R$ 2.265,09 em 2015, perda de 3,7% em relação ao ano anterior.A que da anterior havia ocorrido em 2004.

O resultado se refere à média das regiões. Individualmente, a perda de renda foi maior em Belo Horizonte (-4,6%), no Rio (-4%) e em São Paulo (-4%).
“Muitas pessoas perderam trabalho na indústria, que tem salários maiores. Quando isso ocorre, a renda é imTécnica do IBGE atribui parte do recuo de 3,7% na renda em 2015 à perda de vagas na indústria, que paga salários mais altos Alta do desemprego, de 4,8% para 6,8%, e da inflação afeta ganhos de trabalhadores das regiões metropolitanas Renda cai pela primeira vez em11 anos pactada”, disse Adriana Beringuy, técnica de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O maior vilão, entretanto, foi o avanço da inflação, que fechou o ano em 11,28% pelo INPC e corroeu o salário.

CRISE

Para economistas, o mergulho do emprego e da renda é fruto da recessão, após a exaustão do modelo econômico dos últimos anos baseado no gasto público, no subsídio aos juros e na expansão do crédito em bancos públicos.

“Essa política foi desfeita ao endividar famílias e afetar as contas públicas. A inflação e os juros subiram. Assim, consumidores cortam gastos e a confiança de empresários foi ao chão”, disse Tiago Cabral, economista da FGV.

A redução dos investimentos e desdobramentos da Operação Lava Jato sobre construtoras também afetaram o emprego, sobretudo no ramo da construção.

A população ocupada caiu de 23,7 milhões em 2014 para 23,3 milhões de pessoas em 2015, na média anual — queda de 1,6%. Foi a maior perda desde 2002.

O motor dessa piora foi a indústria, que cortou 296 mil postos de trabalho, queda de 8,4%. O comércio também cortou 112 mil postos (2,5%).

Nesse cenário, jovens e idososqueestavamafastados do mercado de trabalho saíramembuscadeempregopara apoiar o orçamento da família.

Isso pressionou mais a taxa de desemprego.

Na média anual, 1,7 milhão de trabalhadores procuraram emprego sem conseguir no ano passado, alta de 42,5%.

O retrato do mercado de trabalho em 2015 se completa com o aumento da informalidade.

Na média do ano, 603mil empregos formalizados foram perdidos.

Para o Bradesco, o desemprego deve ficar na média de 10,2% neste ano. A renda real deve crescer 0,4%, para R$ 2.274,15, com uma inflação menor e reajustes salariais.
Em dezembro, o desemprego foi de 6,9%, abaixo do de novembro (7,5%). A queda era esperada por causa das vagas temporárias do fim de ano.