Manutenção da Selic, aposta de minoria, amplia expectativa com Ata

Veículo: Valor

Seção: Valor Investe

O mercado financeiro aguarda com expectativa a Ata do Copom que sai na quinta­feira na crença de que o documento traga informações incomuns aos anteriores que expliquem a também incomum iniciativa de Alexandre Tombini, presidente do Banco Central do Brasil, de mudar o discurso da casa. Há uma semana, foi desencadeado um extraordinário desmonte de posições na BM&FBovespa à indicação de Tombini de que a taxa Selic não deveria mais incorporar outra forte alta naquele momento já embutida na curva de juros.

A opção de Tombini por um discurso ‘dovish’ contrariou projeções da maioria dos analistas, mas a pesquisa Valor, realizada dias antes sobre a tendência da política monetária, mostrou que apenas 3 fontes __ Bradesco, Austin Rating e GO Associados __ não viam espaço para mais juro neste mês. De 36 entrevistados, 5 contavam com alta da Selic em 25 pontos­base e 28 esperavam aumento de 50 pontos.

Das indicações dos analistas para o encerramento de 2016, 8 profissionais esperavam queda ou manutenção da Selic em 14,25% ao ano e 28 __ 78% di elenco pesquisado __ contemplavam alta da Selic até o fim do ano. 52% das apostas em juro maior até dezembro concentravam­se, porém, entre 15,25% a 15,75%. Há um reconhecimento velado no mercado financeiro, desde a semana passada, de que Tombini fez “certo” ao sinalizar a mudança de cenário que ele identificou. E para pior. “Imperdoável”, na descrição de alguns analistas, é o fato de a atitude do chefe do BC ter dado mais corda à persistente suspeita (e também ao temor) de que as decisões da instituição principalmente sobre taxa de juro são influenciadas pela opinião da presidente da República, Dilma Rousseff.

A presidente sempre se mostrou crítica à prática de juros elevados e, paralelamente desde o primeiro mandato, poucas vezes mostrou compromisso com o regime de metas para a inflação. Menos ainda com o centro da meta (4,50%). Essa conduta da presidente com eco na equipe do Ministério da Fazenda do primeiro mandato __ ou vice­versa __ contribuiu fortemente para que o teto da meta vigente no Brasil até o fim deste ano (6,50%) ganhasse status de meta central.