A queda do algodão

Veículo: Portugal Têxtil

Seção: Notícias

No ano passado, as importações chinesas de algodão registaram os seus números mais baixos em, pelo menos, nove anos, com base nos dados divulgados esta semana e relativos à comercialização desta fibra em 2015.

As importações do maior consumidor mundial de algodão têm vindo a abrandar à medida que a disparidade entre os preços domésticos e internacionais se têm vindo a esbater e depois de Pequim ter reduzido a disponibilidade de quotas de importação a tarifas baixas para aumentar o consumo interno (ver Corrida ao algodão abranda).

O país importou 188.200 toneladas de algodão em dezembro, o que representa uma queda de 28,85% em relação ao mesmo mês de 2014, divulgou o site de comércio Cncotton.com, que cita dados da alfândega.

Os números de dezembro revelam importações relativas ao ano de 2015 de 1,48 milhões de toneladas, o número mais baixo em nove anos, de acordo com a análise da Reuters. A baixa anterior referia-se a 1,53 milhões de toneladas em 2008, segundo os dados alfandegários recolhidos pela agência noticiosa desde 2006.

A indústria prevê uma queda ainda maior das importações em 2016, depois de os preços no mercado interno terem baixado no início deste mês com as expectativas de que Pequim poderia vender algum do seu vasto stock com preço de desconto.

O acordo de maio de 2016 é de cerca de 11.375 yuans (aproximadamente 1.582 euros) por tonelada, próximo a alcançar a paridade com os preços de importação. «Uma vez que os preços de algodão no mercado interno se aproximam do preço das importações, espera-se que a procura da importação nesta temporada seja geralmente fraca e que possa vir a ser ainda menor do que a maior parte das estimativas», analisou a negociante de algodão Reinhart num relatório recente.

O departamento de agricultura dos EUA (USDA) estima que as importações chinesas para 2015/2016 atinjam 1,2 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 1,8 milhões comparativamente ao ano anterior, mas há quem acredite que os números possam ser inferiores.

«A procura, em geral, é muito fraca, tanto do lado da exportação como do lado do retalho doméstico», afirmou um negociante de algodão, referindo-se ao apetite demonstrado pelos fabricantes têxteis, à Reuters.

A desvalorização do yuan pode trazer algum alívio para os exportadores têxteis, consideram alguns players da indústria, mas o sector também enfrenta um aumento dos custos de mão-de-obra. Enquanto isso, o algodão continua sob significativa pressão face aos preços mais baixos das fibras sintéticas.

A queda nos mercados do crude tem empurrado os preços das fibras sintéticas para baixo em cerca de 30% desde dezembro de 2014, números estes que deverão continuar a baixar este ano, alertou Paul Deane, analista do ANZ Bank num relatório relativo ao mês de dezembro.