A necessidade de inovação tecnológica na indústria da moda

Veículo: Stylo Urbano

Seção: Tecnologia

A forma com a qual nossas roupas são produzidas não mudou muito desde a introdução da máquina de costura. A fabricação de vestuário continua a utilizar baixa tecnologia devido ao excesso de mão de obra barata disponível.

Foi a partir da década de 1990, que o reinado das grandes redes de 'Fast Fashion' se expandiu, pois os custos de produção de vestuário caíram imensamente devido à abundante força de trabalho de baixo custo em países asiáticos que possuem menos regulamentos de segurança, menos preocupação ambiental e supervisão do governo.
 
Esse fato incentivou a migração da fabricação de roupas dos países industrializados ocidentais para países asiáticos. Aliás, esse deslocamento da produção para a Ásia foi também para ficar mais perto da matéria-prima, como o algodão do Uzbequistão e o couro da China e Índia. Essa mudança na indústria da moda continuou a baixar os custos das peças de roupa, ao passo que desencorajou a inovação tecnológica na fabricação de vestuário e acessórios.
 
As inovações na moda da década de 2000 vieram principalmente sob a forma de utilizar a tecnologia para otimizar as operações das empresas. A Zara, em resposta aos gostos dos clientes, conseguiu avançar muito, trazendo novos conceitos para suas lojas em menos de três semanas, aumentando a variedade e reduzindo os custos de produção.
 
O crescimento dos retalhistas de 'fast fashion' teve como fator importante a diminuição das leis protecionistas de mercado e importação no Ocidente, o que deu a essas empresas a alavanca para crescer mais rápido pelo mundo todo e conseguir produzir com preços mais baixos em países como China, Bangladesh, Vietname e Tunísia.
 
Mas, em 2013, o desastre da fábrica Rana Plaza no Bangladesh salientou a necessidade de mudanças na indústria da moda. A produção de vestuário nunca deve ser um negócio mortal. A produção de moda simplesmente não pode seguir como está.

As pessoas estão cada vez mais conscientes dos custos reais dos vestuários descartáveis e, em resposta a isso, estão a mudar as maneiras que enxergam e consomem moda, pois a demanda por roupas vai continuar a crescer devido ao aumento das populações e da melhoria nos padrões de vida. Esta necessidade de crescimento nos desafia a imaginar um futuro mais ético e sustentável para a indústria da moda.

Quais serão as novidades da moda na próxima década? Essas inovações não virão simplesmente do design, porque, com a globalização da indústria e uma semana de moda a decorrer a cada semana em algum lugar do mundo, as verdadeiras inovações com impacto para mudar a indústria não virão dos estilistas que utilizam os materiais tradicionais existentes no mercado.
 
Simplificando, tudo já foi tentado, e não houve nada de novo na forma de fabricar tecidos como também roupas durante décadas.
 
Será que a inovação na moda virá do uso de novos materiais? Na atualidade, existem várias investigações em desenvolvimento que poderão mudar por completo a forma como enxergamos e usamos nossas roupas.
 
O futuro promete roupas inteligentes que se autorreparam, nunca sujam ou exalam mau cheiro, monitoram nossos exercícios e saúde, mudam de cor e estampado num piscar de olhos, ou seja, roupas que se esfriam ou aquecem e também se conetam à Internet.
 
No entanto, como essas roupas fantásticas serão produzidas? Talvez elas sejam produzidas em fábricas totalmente automatizadas sem a ajuda humana, como o sistema Cosyflex, no qual robôs utilizam pistola de pulverização para imprimir roupas, evitando assim o desperdício de tecido e água. Além disso, o tecido pode ser impresso já com a cor desejada sem precisar de tingimento e ser estampado digitalmente.
 
No final do processo, robôs juntam as peças da modelagem e as soldam nas laterais, e a roupa sai pronta para ser usada. Esse seria o primeiro passo da revolução no método de fabricação de roupas e o segundo será quando o grafeno puder inserir completamente a tecnologia vestível nos tecidos, de forma microscópica, criando roupas multifuncionais.
 
Os tecidos de tecnologia vestível serão os mais sustentáveis, que a indústria têxtil já produziu, e poderão resolver quase todos os problemas socioambientais enfrentados pela indústria da moda.

A impressão 3D nos dá a promessa de personalização em massa. Isso certamente poderia ser a resposta para o maior desejo da moda, criar novas peças que capturam um certo humor momentâneo que é a própria alma da moda.
 
Roupas criadas e recicladas por impressão 3D, algo que está atualmente a ser explorado por alguns inovadores, poderia ajudar a lidar com o impacto ambiental das rápidas e mutáveis ​​tendências da indústria.
 
Pode-se facilmente imaginar um futuro onde não só a moda, mas praticamente tudo seja produzido com a utilização de impressoras 3D com materiais biodegradáveis e recicláveis, e o melhor é que toda a produção será realizada no próprio país e não numa fábrica que poluí e explora mão de obra na Ásia.
 
A maior revolução industrial de todas será quando a tecnologia de impressão 3D evoluir o suficiente para permitir a personalização em larga escala para todos.
 
A tecnologia vai ter de superar alguns obstáculos, como aumentar a velocidade de impressão, imprimir todos os tipos de materiais ao mesmo tempo e baratear seus custos.

Será que essa personalização em massa vai acontecer em mini fábricas, ou diretamente na casa das pessoas? Ou será que outra tecnologia surgirá para resolver o problema da produção de moda? Com certeza o futuro vai ser interessante!