China em mudança

Veículo: Portugal Têxtil

Seção: Notícias

O que esperar do Império do Meio em 2016? De acordo com um relatório da consultora McKinsey & Company, a atividade de produção da China está em mutação e não em vias de extinção – com os seus “vencedores” a tornarem-se ainda mais competitivos à escala global.

As oportunidades da China são tão gigantes quanto a sua economia – e a sua participação na economia global tornar-se-á mais substancial do que nunca, de acordo com as previsões de Gordon Orr, diretor emérito da McKinsey e seu conselheiro externo, em declarações ao just-style.com.

Ainda que as previsões não sejam especificamente relativas à indústria têxtil e vestuário, a visão de que, para o ano, se assistirá à deslocação de milhares de pessoas para fora das cidades, que haverá menos empregos e uma aceleração da produtividade trará, obviamente, implicações para estes sectores.

Refira-se como exemplo o 13º plano do governo chinês para os próximos cinco anos. Agendado para ser anunciado em março, o objetivo de crescimento de 6% do PIB é suscetível de conduzir a taxas de juros mais baixas e à pressão sobre a taxa de câmbio em relação ao dólar durante o corrente ano.

Orr prevê que as iniciativas verdes também se assumam como prioritárias, sob a forma de controlos de emissões mais severos e mais verbas para apoiar o desenvolvimento de combustíveis não-fósseis.

Além das iniciativas verdes, tornar-se global continuará a ser um tema-chave no Império do Meio, como detalhado na “One Belt, One Road”, uma iniciativa de investimento estrangeiro que aloca 40 mil milhões de dólares (aproximadamente 37 mil milhões de euros) do Silk Road Fund para apoiar o investimento privado, bem como dezenas de milhares de milhões da nova instituição proposta pela China para o desenvolvimento de infraestruturas na região Ásia-Pacífico, a Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB).

Embora a China já tenha tido sucesso no incremento da produtividade durante a última década, a aceleração do seu crescimento, tanto para o capital como para o trabalho, continuará a ser uma prioridade no período entre 2016 e 2020. Este, no entanto, «vai amplificar as implicações que um aumento de produtividade traz para os trabalhadores: o desaparecimento de muitos empregos tradicionalmente bem pagos e a necessidade de uma maior mobilidade dos trabalhadores, assim como uma atualização constante dos seus conhecimentos», explica Orr.

Em sectores como o têxtil, uma indústria que Orr considera estar em «declínio secular», o governo terá de intervir para ajudar os trabalhadores a desenvolverem novas competências que se adaptem a uma economia de serviços moderna, caso procure cumprir o seu compromisso de que todas as partes da sociedade beneficiarão do crescimento económico. Isso resultará em mais e novas formações e soluções de aprendizagem – implementadas de forma rápida e em grande escala.

Não obstante, a pressão relativa ao aumento de produtividade e no emprego global levará a um crescimento mais tímido na renda familiar e, potencialmente, a uma erosão na confiança dos consumidores em 2016.

Produção na China

Orr acredita que «a produção na China está a mudar, não a desaparecer». O conselheiro analisa que o Purchasing Manager’s Index (PMI), indicador da saúde económica do sector, permanece abaixo de 50 – um índice acima de 50 significa expansão da atividade, enquanto um resultado inferior a 50 denota contração –, levando a rumores de que o país pode estar a chegar ao fim da sua era como “fábrica do mundo” (ver China trava declínio). Mas acrescenta que «a produção não está prestes a tornar-se irrelevante na China. No entanto, o país está a evoluir em direção a extremos de performance: a verdadeiramente má e a verdadeiramente competitiva».

Em 2016, «vamos perceber que em muitas partes da economia, um sector de produção chinês menor será um concorrente global mais forte do que nunca». «Um indicador será o aumento das aquisições internacionais a produtores chineses. O segundo será mais multinacionais a culparem o seu fraco crescimento não apenas à desaceleração da economia chinesa, mas também, especificamente, aos concorrentes locais que estão a mover-se no luxo para ganhar quota dentro e fora da China».

Ao adotar agressivamente estratégias como o design modular, a formação, a rersposta rápida e a automação, muitas empresas chinesas estão a combinar baixos custos com uma inovação agressiva.

Mobilidade em larga escala

Outra tendência é a mobilidade de pessoas em grande escala. A população de Pequim cresceu 60% para 21 milhões, apenas nos últimos 14 anos – segundo dados oficiais, sendo que os dados não oficiais estimam um crescimento superior – e muitas outras cidades chinesas estão a lutar para construir infraestruturas suficientes para lidar com situações semelhantes.

As cidades mais ricas procurarão seguir a liderança de Pequim na transferência de um grande número de postos de trabalho e pessoas para fora dos centros das cidades. No caso de Pequim, esta política não envolveu recolocar os trabalhadores migrantes, mas entre 400 mil a 2 milhões de residentes da classe média, deslocando muitos escritórios do governo para fora do centro da cidade.