Banco Central e Tesouro vão atuar no mercado após início de impeachment

 


Veículo: Folha de S. Paulo
Seção: Mercado

 

A primeira sessão de negócios no mercado financeiro
após o anúncio do presidente da Câmara dos Deputados,
Eduardo Cunha (PMDB­RJ), sobre oprocesso de
impeachment da presidente Dilma Rousseff será marcada
por uma série de leilões programados pelo Banco Central
e pelo Tesouro Nacional.

São todas operações que já estavam previstas para esta
quinta­feira (3) antes da entrevista dada por Cunha no final da tarde desta quartafeira
(2).


O BC realiza às 11h30 a operação diária de renovação de contratos de câmbio
(swap) no valor de cerca de US$ 500 milhões. A partir das 15h15 serão feitos dois
leilões de empréstimos de dólares, que podem somar até US$ 500 milhões.
O Brasil tem hoje US$ 369 bilhões em reservas em moeda estrangeira. Desse total,
US$ 11,96 bilhões estão emprestados ao mercado.


Já o Tesouro Nacional programou para esta quinta a venda de papéis prefixados
(LTN e NTN­F), operação que pode ser prejudicada em caso de tensão no mercado
financeiro. Nesta quarta­feira, os juros desses papéis estavam entre 15,6% e 15,9%
ao ano, considerando os títulos mais negociados.
Em setembro, BC e Tesouro agiram conjuntamente para acalmar o mercado diante
do agravamento das crises fiscal e política.
Nesta quarta­feira, o Congresso Nacional aprovou a mudança da meta fiscalpara o
Orçamento da União de 2015, com a autorização para que o governo registre um
deficit de até R$ 119,9 bilhões no ano.
A aprovação foi uma vitória para o governo, ofuscada, no entanto, pelo anúncio
feito por Cunha momentos antes da votação.
O mercado de juros deve ser influenciado ainda nesta quinta­feira pela divulgação
da ata do Copom (Comitê de Política Monetária). Os dois diretores que votaram
pelo aumento da taxa básica na última reunião deverão apresentar seus
argumentos a favor do aperto monetário.