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Sulfabril volta ao mercado 17 anos depois

Veículo: Valor Econômico

Seção: Empresas

 

Sulfabril prepara retorno às lojas até junho de 2016

Por Sérgio Ruck Bueno

Uma das mais importantes indústrias de confecções do Brasil nas décadas de 70 e 80, a Sulfabril, de Blumenau
(SC), voltará ao mercado em 2016, pouco mais de um ano depois de encerrar as atividades por determinação da
Justiça, em dezembro de 2014. O retorno ocorrerá sob comando de um grupo de empresários que arrematou a
fábrica, os equipamentos e as marcas da empresa em leilão judicial em setembro e planeja lançar as primeiras
coleções em fevereiro do ano que vem para entregar os produtos nas lojas até junho.
De setembro de 1999, quando teve o pedido de autofalência aceito pela Justiça catarinense, até o fim do ano
passado, a Sulfabril operava como massa falida. Os novos controladores, que também atuam em segmentos como
máquinas e resinas termoplásticas em Santa Catarina e São Paulo e formaram a joint venture NSA Invest,
pagaram R$ 34,1 milhões no leilão destinado a levantar recursos para pagar antigas dívidas trabalhistas e
investirão mais R$ 25 milhões em um ano para deixar a fábrica em condições de atender o plano estratégico até
2018, diz o presidente Rafael Cunha.
A meta é vender 300 mil peças por mês em 2016, 600 mil em 2017 e 900 mil ao mês em 2018. A empresa tem
condições de bancar sozinha os novos projetos, mas mesmo assim, conforme o executivo, vai buscar parceiros
dispostos a se instalar no complexo industrial de 50 mil m2 de área construída em um terreno de 150 mil m2 para
assumir parte dos aportes e da produção em áreas como tecelagem, tinturaria, estamparia e corte. "Será um
consórcio modular", explica.
O lançamento das primeiras coleções, para a temporada primavera verão
2016/2017, será feito em convenção com
os representantes em Blumenau e vai incluir ações de marketing nos pontos de venda, afirma o executivo.
Também deve ser realizada uma campanha publicitária de alcance nacional, mas o plano ainda está em
desenvolvimento.
Segundo Cunha, o foco da empresa será a produção de vestuário, mas pelo menos no início a empresa também vai
se encarregar do processo de tinturaria. Os equipamentos adquiridos no leilão estão em fase final de recuperação e
manutenção e poderão operar já no dia 15 deste mês. A capacidade instalada é de 400 mil toneladas por mês, o
suficiente para suprir a demanda própria da empresa e para prestar serviços a terceiros, mas pode ser triplicada
com um investimento adicional de cerca de R$ 5 milhões.
As primeiras coleções da nova fase da malharia levarão as marcas Sulfabril e Senha e serão destinadas aos
públicos adultos masculino e feminino. Já as novas linhas SF Kids (infantil) e a Pura Onda (moda jovem) ainda
estão em desenvolvimento. Para o presidente da empresa, as marcas seguem firmes na memória dos
consumidores e o reinício das entregas dos produtos nas lojas, em meados do ano que vem, deve coincidir com o
início da recuperação da economia no país.
No Brasil, uma equipe de 70 representantes comerciais retomou os contatos com os mais de 6 mil pontos de venda
multimarcas que já trabalhavam com a Sulfabril e demonstraram interesse de voltar às compras, disse Cunha. Ao
mesmo tempo, a empresa pretende reativar as exportações da marca para países como Paraguai, Peru e Colômbia
e espera que em 2016 pelo menos 10% da produção já tenha o mercado externo como destino. O número de
funcionários deve chegar a 120 no fim deste ano, mas o presidente não revela as expectativas de faturamento.
Desde a falência, a Justiça organizou vários leilões para levantar recursos e pagar dívidas da massa falida, mas
até o ano passado não houve interessados. Os últimos, em setembro, incluíram terrenos e imóveis não
operacionais, vendidos por pouco mais de R$ 6 milhões, e o pacote formado por marcas, fábrica e máquinas. A
oferta da NSA ficou em segundo lugar, mas os investidores que haviam vencido o pregão com uma proposta de R$
34,6 milhões desistiram do negócio poucos dias depois.

 

No anos 80, propaganda na TV, 5 mil funcionários e 6 milhões de peças ao mês
Por Sérgio Ruck Bueno


Fundada em 1947 pelo empresário Paulo Fritzsche, a Sulfabril viveu o auge nos anos 80, quando chegou a ter 5
mil funcionários e fábricas em Blumenau, Gaspar, Ascurra, Rio do Sul e Joinville, em Santa Catarina, e Natal, no
Rio Grande do Norte. Na época, produzia cerca de 6 milhões de peças de vestuário por mês e era conhecida por
suas campanhas publicitárias que incluíam o patrocínio do programa humorístico "Os Trapalhões", da TV Globo.
Segundo o exsíndico
da massa falida da empresa, Celso Zipf, apesar da marca consolidada e do parque industrial
atualizado, a Sulfabril não resistiu à invasão de produtos importados a partir da abertura comercial do início dos
anos 90. Alguns investimentos também não deram certo, como a aquisição de uma fiação em Joinville, que
acabou sendo entregue a bancos credores.
Em 1999, quando pediu a autofalência, a empresa acumulava dívidas tributárias, com bancos, fornecedores e
funcionários de R$ 238 milhões, em valores históricos, o equivalente, então, a pouco mais de dois anos de
faturamento, lembra Zipf. De acordo com ele, o passivo formou-se
por conta de prejuízos acumulados, atrasos no
pagamento de impostos e contratação de empréstimos para garantir capital de giro.
Na época, a empresa já era presidida pelo filho do fundador, Gerhard Fritzsche, que chegou a ser condenado em
primeiro grau pela Justiça de Blumenau por fraudes e desvio de recursos da empresa no período anterior à
falência, mas ele recorreu ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina e o processo prescreveu, acrescenta Zipf.
De acordo com ele, em 2000, quando assumiu o cargo de síndico da massa falida, o número de empregados da
Sulfabril já havia recuado para 1,7 mil. Em 2014, no encerramento das operações, o quadro era formado por 600
funcionários e o faturamento do ano ficou em R$ 80 milhões, valor insuficiente para garantir o pagamento dos
credores.



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