Competitividade, uma pedra no sapato do Brasil

Veículo: Fashion mag

Seção: Notícias

Madri (Notimérica) – Chile, Panamá e Costa Rica são os países mais competitivos da América Latina, segundo o Índice de Competitividade Global 2015-2016 que acaba de ser divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF pelas suas siglas em inglês). Já o Brasil caiu mais 18 posições.
 
Segundo tal Índice, que avalia pilares como as instituições, infraestrutura, estabilidade macroeconômica, saúde, educação ou inovação, entre outros fatores, no lado contrário, o Haiti é o país da região pior situado, ao ocupar o posto 134 dos 140 países avaliados.

O Brasil como um todo faz o caminho inverso ao ideal. Desce ladeira abaixo em índices caros à competitividade global. Isso sem contar com o isolamento na conclusão de acordos bilaterais. - Foto: DR 
Quanto aos considerados mais competitivos na América Latina, após o Chile, Panamá e Costa Rica se situam México, Colômbia, Peru, Uruguai, Brasil, Equador e a Guatemala.
 
A respeito das razões pelas quais esses países se destacam na região, o relatório aponta, quanto ao Chile, que apesar de cair dois lugares na classificação mundial (ocupa o posto 35), conserva "fortalezas fundamentais", incluindo o bom funcionamento dos mercados financeiros, um entorno macroeconômico relativamente estável e instituições eficazes.
 
Já os fatores negativos que levaram o Chile a perder terreno no último ano foram em âmbitos como a eficiência do mercado laboral, com um regulamento laboral restritivo, que é identificado pelos executivos indagados como "o fator mais problemático para fazer negócios no país". Igualmente a qualidade da educação primária é outra área que freia a competitividade do Chile.
 
A respeito do Panamá, que cai dois postos no índice geral (ocupa o posto 50), o relatório aponta que o seu pilar mais forte, e um dos que melhorou no último ano, é o desenvolvimento do mercado financeiro – o 15º a nível mundial. Também se destacam a infraestrutura, a eficiência do mercado de bens, a sofisticação empresarial e a inovação. Em negativo, o relatório aponta à qualidade das suas instituições, com o desvio de fundos públicos como a principal preocupação e seu sistema de educação.
 
A Costa Rica, dois postos mais abaixo que seu vizinho Panamá (52), supera sua classificação geral em inovação e sofisticação dos negócios, apesar de que perdeu terreno no último ano. Também retrocedeu quanto à eficiência do mercado laboral. Se comporta melhor que o Panamá no que concerne às instituições e tem no seu sistema de educação superior um dos pontos fortes.
 
O México (posto 57 no índice geral) avançou quatro posições graças, em grande parte, às melhorias nos mercados financeiros, à sofisticação empresarial e à inovação, "o que sugere que as recentes reformas estão dando frutos". Embora tenha avançado na melhoria da eficiência do mercado laboral do país, esse continua sendo seu pilar mais débil. Contudo, a maior preocupação dos executivos indagados é a corrupção.
 
A Colômbia, classifica no posto 61 do índice geral, sobe 5 postos em comparação com o ano anterior, graças em grande parte ao seu progresso no âmbito do desenvolvimento do mercado financeiro – que avança do posto 70 ao 25. Também se beneficia de um entorno macroeconômico relativamente estável, enquanto seus pilares mais frágeis são a baixa eficiência do mercado de bens e das instituições, sendo a corrupção e a segurança uma preocupação especial.
 
O Peru caiu 4 postos no índice geral, ficando em 69, em grande medida, pela perda de eficiência do mercado laboral e de bens, e na sofisticação dos seus negócios. Suas principais vantagens competitivas são uma relativa estabilidade macroeconômica e mercados financeiros bem desenvolvidos. Seus pilares mais fracos são as instituições e a inovação.
 
Já o Uruguai ganha sete lugares e se classifica no posto 73 da lista geral, embora, segundo o WEF, ainda não tenha recuperado o terreno perdido entre a edição 2011-2012 do Índice.
 
Da mesma forma, com a Colômbia e o Peru, os mercados financeiros eram sua principal área de melhoria no último ano, enquanto perdeu terreno no entorno macroeconômico. Incomum para a região, as instituições são o pilar mais forte do Uruguai, com um posto 30 no ranking mundial. O relatório indica que a eficiência do mercado de trabalho é seu pilar mais fraco.
 
BRASIL CAI 18 POSTOS
 
O Brasil continua com sua tendência de queda e cai 18 posições, até o posto 75 no índice geral, e agora está 27 pontos mais baixo que na edição 2012-2013.

A corrupção e o nível de educação da população se destacam cada vez mais na avaliação negativa do Brasil. - Foto: DR 
O gigante sul-americano caiu em 9 dos 12 pilares que se leva em conta no Índice de Competitividade Global 2015-2016, com descensos notáveis nos campos da saúde e educação primária, educação superior e formação, o entorno macroeconômico – com um elevado déficit fiscal, a crescente pressão inflacionária e baixas perspectivas de crescimento dos pobres – e as instituições, em meio aos escândalos de corrupção. Por outro lado, a principal força competitiva do Brasil é o grande tamanho do seu mercado, o sétimo a nível mundial.
 
O Equador, que foi excluído do Índice do ano passado devido às dúvidas sobre a fiabilidade dos dados, retorna na posição 76 na classificação geral. Os seus pilares mais frágeis são as instituições e a eficiência dos mercados de bens e do mercado laboral. Também preocupa entre os indagados as taxas impositivas e a complexidade das normas tributárias. O seu pilar mais forte, embora com um ranking global relativamente modesto (59), é a saúde e a educação primária.
 
A Guatemala se posiciona na posição 78 pelo segundo ano consecutivo, por isso seu desempenho mudou muito pouco desde o ano passado, embora tenha avançado no desenvolvimento financeiro, que agora é o pilar mais forte, à frente da eficiência do mercado de bens e da sofisticação de negócios. Seu pilar mais fraco são as instituições e, entre os executivos indagados, o crime e o roubo quase alcançam a corrupção como o tema de maior preocupação para fazer negócios.
 
OUTROS PAÍSES
 
Quanto à posição do resto dos países da América Latina no Índice de Competitividade Global 2015-2016 (que é liderado globalmente pela Suíça e tem Guiné na última posição), após os dez melhores situados aparece, embora no posto 88 da classificação geral, Honduras, seguido de Trinidad e Tobago (89).
Na continuação aparecem El Salvador (95); República Dominicana (98); Argentina (106); Nicarágua (108); Bolívia (117); Paraguai (118); Guiana (121); Venezuela (132) e Haiti (134).
 
No caso de Honduras o ponto mais fraco é o desenvolvimento macroeconômico; e o de Trinidade e Tobago, da mesma forma que em El Salvador, República Dominicana, Argentina; Nicarágua; Bolívia; Paraguai; Guiana; Venezuela e Haiti, o maior problema são as instituições, que no caso venezuelano quase fecham o ranking com o posto 140.