A origem das coisas-Cadeia de produção têxtil.

Veículo: Revista Low Lifestyle

Seção: Notícias

As roupas, parte importante do nosso dia a dia. Ainda assim, já está claro e cada dia mais difundido que essa indústria global que emprega um sexto da população do mundo é envolvida com diversas questões como o fast fashion, o uso de químicos tóxicos, o trabalho explorador e o desperdício.

Outra coisa que também tem sido falada é que nós temos a oportunidade de afetar a vida de milhões de pessoas e de proteger nosso meio ambiente pela maneira como nós compramos e o que vestimos. Quando vem à tona essa conversa sobre as desvantagens e problemas da moda e suas opções sustentáveis e éticas, o que eu sinto que sempre fica no ar é isso: Ok, mas como posso então consumir uma moda mais justa mas ainda acessível, tanto na questão de preço e estética quanto de facilidade de acesso? Claro que tudo dentro das possibilidades de cada um, essas dicas abaixo nos ajudam a fazer a diferença e ainda a economizar, a termos a moda como uma aliada de estilo e identidade! #MinimalizeSeuCloset

– Pergunte-se se você realmente precisa de algo novo

Ou se você pode usar alguma roupa ou acessório de uma maneira diferente, que pareça uma novidade. Na hora de comprar algo, pense no que você já tem no guarda roupa que possa combinar com essa peça. O menos peças com maior qualidade é sempre válido.

– Pense em quantidade. Compre menos e de um jeito mais inteligente

Já parou pra pensar em quantas peças você compra por ano? Ou ao menos a cada mês? Hoje em dia temos mais roupas que sempre tivemos em toda a história do universo, e ainda assim a estimativa é a de que realmente usamos, em média, só 20% de tudo. Uma boa estratégia para reduzir as compras (e o excesso no guarda roupa) é começar a fazer essa conta e ir diminuindo, aos poucos. Diminuir um quarto, depois pela metade… O bolso agradece (que tal gastar o que sobrar com experiências, como viagens, jantares, um day spa…), e o guarda roupa também, menos lotado, o que facilita na hora de enxergar o que já temos – e às vezes até esquecemos que temos.

– Pesquise novas marcas e designers

Ético, Eco, Sustentável, Green, Verde, geralmente termos que combinam entre si. Já existem várias opções de marcas com coleções incríveis que são feitas com um design inteligente. Atualmente acredito que os blogs dessa área da eco e slow fashion são boas referências para se descobrir novos trabalhos, às vezes até bem perto da sua casa (ou com lojas virtuais) e com preços diversificados, também. Dicas: o Review, blog e mini marca que você lê agora, rs, o blogModa Verde e o site Moda Ética. Também é muito válido acompanhar o trabalho do campanha Fashion Revolution pelo mundo, sempre com novidades e notícias da área. Em sua parte brasileira, também buscamos sempre compartilhar as novas (e as já existentes) marcas e designers.

– Apoie os designers e marcas menores e locais 

Num mundo que é cada dia mais globalizado, é difícil para quem produz localmente competir com as grandes empresas que existem em todo o planeta. Mas as coisas que eles produzem são especiais, originais, feitas de uma maneira (mais) artesanal e ainda têm uma baixa pegada de carbono, o que significa que não precisaram viajar por quilômetros e quilômetros até chegar à sua mão. Conheça e apoie!

– Confira as suas marcas favoritas

No final do ano passado a ONG Repórter Brasil lançou o aplicativo gratuito Moda Livre. Com ele, dá pra consultar se alguma marca de roupas que estamos acostumados a usar está envolvida em acusações de uso de mão de obra escrava e quais são as suas políticas para combater esse crime. O app, que veio pra tornar possível uma ação direta das pessoas com essa questão inaceitável, está disponível, e agora atualizado, para smartphones Android e iOS. As empresas são analisadas por suas políticas, monitoramento, transparência e histórico. 

– Invista nos brechós

Verdadeiros amigos da sustentabilidade na moda, o reaproveitamento é a melhor maneira de se consumir. Roupas e acessórios que têm história pra contar e são aliados perfeitos para um estilo com identidade. Aquele ranço da roupa usada já não faz mais sentido. Diversos brechós, além de fazer uma boa seleção com diversidade, apostam todas as fichas na qualidade e limpeza de suas peças. 

– Compre algo orgânico

Como roupas de algodão orgânico, ou feitas com algum outro tecido tecnológico (pet e algodão reciclados, linho, hemp, tencel, etc) que seguem padrões de preservação tanto ambientais, quanto em prol da nossa saúde. Alguns já possuem até proteção solar. Também é crescente o número de marcas que trabalham com esses tipos de matérias primas.

– Desapegue, Minimalize

Venda para um brechó, organize um bazar, troque com os amigos ou ainda doe para uma associação as peças que você não usa mais. Dependendo de onde você for doar, até o que estiver danificado pode ser útil de alguma maneira, pra reaproveitar, ou reciclar. Aquele pensamento insistente de guardar pra usar um dia, ou quando emagrecer, raramente funciona. Um jeito legal que vi esses dias, não me lembro onde, é colocar todas as suas roupas com o cabide virado no guarda roupa. À medida que for usando, desvire o cabide. Depois de um tempo, os que ainda estiverem virados são as roupas que você realmente deixa de lado e não vai usar.

– Quando for comprar algo novo, pergunte

Pergunte na loja sobre detalhes que não estão na etiqueta, como quem fez aquelas peças, de onde vieram, os materiais utilizados. Assim, você aprende sobre a história da sua roupa e, se a marca não tinha pensado sobre isso, você incentiva mudanças na indústria, lembrando-os de esclarecer essas questões a seus clientes.

– Resgate a máquina de costura, ou a costureira do bairro

Customize com novos detalhes, ou transforme peças antigas em algo novo. Repare pequenos defeitos, ao invés de descartar e correr pra comprar outro. Em alguns casos, as roupas estão tão baratas que tem gente que prefere jogar fora e comprar outra do que fazer um pequeno conserto. As máquinas de costura não são tão difíceis de se usar como parece, e pode ser até o caso de criar um novo hobby, aprendendo a costurar em cursos, ou ainda pedindo um help pra vovó talentosa. Aqui no Review podemos ajudar com essa transformação nas roupas! Outra dica é a Barato Deluxe, especializada em customização.

– Quando for comprar algo novo, pense:

Por quanto tempo vou gostar dessa peça? É uma roupa que vai durar ou só vou vestir algumas poucas vezes? É fácil de usar? Não vou enjoar rápido? Experimente e invista naquelas especiais, que você sabe que pode aproveitar bem. Outra coisa a se pensar é que está muito ultrapassada a “regra” de que repetir roupa é feio. Bobagem! Feio é encarar as roupas como coisas descartáveis. Dinheiro não dá no pé e o planeta não precisa de mais descarte e produção desenfreados. E bonito é criar memórias e histórias especiais com cada peça!

– Compre algo que vem do Comércio Justo

Um produto com o selo FairTrade (Comércio Justo) garante que quem fez aquelas roupas recebeu salário e condições justas para a produção. Até hoje só o vi em alimentos, o que já é um bom incentivo e dá gosto de comprar. O esperado é que seja expandido para mais áreas e mais marcas.

– Alugue ou pegue emprestado

Ao invés de comprar algo novo (principalmente se for daquelas roupas que sabemos que serão pouco usadas). Na adolescência, eu e minhas amigas tínhamos muito esse hábito, de trocar e emprestar roupas para um festa, ou por um período. Até hoje tenho uma amiga querida que me salva em casamentos ou eventos do tipo, quando não sei o que vestir. Com certeza bom pra quem empresta e pra quem pega emprestado, nada como compartilhar tudo (ou quase tudo, rs) que temos de bom. Também já existem serviços de aluguel, tanto pra quem quer alugar quanto pra quem quer ganhar dinheiro com suas peças quando outras pessoas usarem.Vai de roupas e acessórios diversos até malas e brinquedos.

– Cuide bem das suas roupas!

Aquela dica de mãe é mais que válida. Usar, lavar, secar e guardar as peças com cuidado. Às vezes investir um tempo para lavar à mão, ou levar para a lavanderia uma peça delicada, pode render muitos usos a mais de uma roupa especial. Na Copenhagem Fashion Summit, a estilista britânica Stella McCartney lançou com a Ginetex, empresa suíça que desenvolve aqueles símbolos de lavagem-secagem para etiquetas, a CleverCare (algo como Cuidado Inteligente), uma nova etiqueta que simboliza termos um maior cuidado com as roupas na hora de lavar. E sugere até que as lavemos menos, o que é bom também para a redução do uso de água. Essa também é a aposta do CEO da Levi’s, Chip Bergh.

– Divirta-se com tudo isso!

A moda ética e sustentável é toda sobre descobrir as histórias por trás das roupas e mudar vidas. Isso sem falar da ajuda ao nosso planeta. Então explore, experimente e aproveite por você mesmo!