E se as Etiquetas das Nossas Roupas Contassem Suas Verdadeiras Histórias?

Veículo: Ecouterre

Seção: Notícias

A gente vem falando há um tempo sobre a importância de sabermos de onde vêm, como foram feitos e quem fez os produtos que consumimos. Imagina se, na hora de comprar uma roupa, tivéssemos todas as informações desse tipo na própria etiqueta, ao invés apenas do tipo de tecido, instruções de lavagem e país de origem? Um sonho, né? E uma super oportunidade de trazer melhorias e aumentar a conscientização. Já vimos que têm marcas adotando a transparência em seus negócios, como a pioneira Honest By. e, inovando no Brasil, a Catarina Mina. Mas, se hoje as etiquetas de todas as marcas revelassem a verdade, infelizmente veríamos muitas histórias trágicas e inaceitáveis. O verdadeiro custo, humano e ambiental, escondido em nossas lindas “peças desejo”!

Pois a nova campanha da ONG Canadian Fair Trade Network (Rede de Comércio Justo Canadense) traz exatamente como seria essa situação, mostrando as condições desumanas que os trabalhadores de fábricas têxteis em Bangladesh, Camboja, Serra Leoa, Brasil e vários outros lugares enfrentam. Produzida pela agência Rethink Canadá, cada anúncio apresenta uma peça de roupa com sua etiqueta contando os possíveis cenários de devastação que a indústria da moda pode causar. Não poderia vir em melhor hora, com a proximidade do segundo Fashion Revolution Day!

“100% algodão. Feito em Bangladesh por Joya, que deixou a escola com 12 anos para ajudar seus dois irmãos e a mãe recém viúva. Seu pai foi morto quando um incêndio destruiu a fábrica de algodão em que ele trabalhava. Agora ela trabalha no prédio do outro lado da rua onde a fábrica foi queimada. Um constante lembrete do risco que ela corre todos os dias. A etiqueta não conta toda a história”.

100% algodão. Feito em Serra Leoa por Tejan. Nas primeiras vezes em que cuspiu sangue, ele escondeu de sua família. Eles não podiam pagar o tratamento médico e ele não podia arriscar perder seu emprego de longa data na plantação de algodão. Um dia, quando caiu em uma convulsão, aquilo não podia mais ser ignorado. O diagnóstico foi de intoxicação por agrotóxicos. A falta de um vestuário adequado o deixou com leucemia na idade de 34 anos. Ele tem duas filhas. Uma delas começa a trabalhar na fábrica no próximo ano. A etiqueta não conta toda a história”.

100% Algodão. Feito no Camboja por Behnly, 9 anos de idade. Ele acorda às cinco horas da manhã todos os dias para ir até a fábrica de roupas onde trabalha. Está escuro quando ele vai e escuro quando ele volta. Se veste com roupas leves porque a temperatura da sala onde trabalha chega a 30º. A poeira na sala enche seu nariz e boca. Ele faz menos de um dólar em um dia que passa lento e sufocante. Uma máscara custaria 10 centavos à fábrica. A etiqueta não conta toda a história”.

“É hora de mudança. “Comprar do comércio justo garante que os trabalhadores estão sendo remunerados de forma justa e não estão expostos a condições de trabalho inseguras.”