Indústria têxtil demitirá 100 mil no país neste ano

Veículo: Folha de S. Paulo

Seção: Colunistas - mercado aberto

O setor têxtil e de confecção paulista demitiu 10 mil funcionários de janeiro a julho e deve fechar mais 15 mil postos até o final deste ano, segundo estimativa do Sinditêxtil-SP (entidade que representa a indústria).

É a primeira vez em, pelo menos, 35 anos que o segmento passa por uma redução desse volume em seu quadro de funcionários, segundo Alfredo Bonduki, presidente do sindicato.

Somente no município de Americana (SP), foram perdidos cerca de mil empregos nos dois segmentos.

"No país deverão ser demitidas mais de 100 mil pessoas até o final deste ano", diz.

Nos primeiros sete meses de 2014, haviam sido gerados 2.080 empregos no Estado.

Os cortes se devem à redução média de 25% na produção, por conta do enfraquecimento do consumo. O Estado de São Paulo responde por 30% da produção nacional.

"Além da retração na demanda, há muita compra de têxteis importados, mesmo com a alta do câmbio, porque as mercadorias são contratadas com ao menos nove meses de antecedência."

Os reajustes de energia elétrica contribuíram para agravar o cenário.

Em algumas regiões no Estado, a luz ficou até 90% mais cara, de acordo com o executivo, que também é diretor da Linhas Bonfio.

No segmento de fiação, por exemplo, a energia elétrica responde por cerca de 30% das despesas.

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Oi apaga a luz para cortar gasto com energia e horas extras

A Oi está com um plano em prática para reduzir custos operacionais neste ano que conta com 300 possíveis medidas de economia.

Entre as iniciativas está o desligamento da luz dos escritórios da empresa às 19h.

A medida "atende tanto uma questão da energia elétrica como a racionalização da quantidade de horas extras da equipe", afirma o diretor administrativo e financeiro da Oi, Marco Schroeder.

Os funcionários já se acostumaram à rotina, diz ele. Caso precisem permanecer mais tempo no escritório, têm de pedir para que as luzes fiquem acessas até mais tarde.

O consumo anual de energia elétrica da Oi é equivalente ao de 750 mil residências, estima. A conta não diminuiu em relação a 2014 por causa do aumento da tarifa, diz.

Outra forma de economizar é reduzir deslocamentos. Gastos com viagens caíram 50%, diz Schroeder.

Os esforços resultaram em uma baixa de 10,5% nos custos operacionais no segundo trimestre em comparação com 2014, afirma.

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Grupo chinês terá fábrica de R$ 100 milhões em Curitiba

A fabricante chinesa Zhengchang, de equipamentos agrícolas, vai instalar uma fábrica com investimento de R$ 100 milhões em Curitiba para atender o mercado da América do Sul.

A nova planta vai produzir silos para armazenagem de grãos e equipamentos para fábricas de rações e para processamento de biomassa.

A empresa atua no país há oito anos, por meio de um escritório de importação.

O município foi escolhido devido ao mercado consumidor da região e à facilidade de acesso aos portos de Paranaguá (PR) e Itajaí (SC).

"O cenário econômico não desanima nossa decisão, pois temos planos de longo prazo para o país", afirma Cesar Jeremias, diretor-superintendente da Zhengchang.

A fábrica será instalada na Cidade Industrial de Curitiba e terá 22 mil m² de área construída. O terreno foi adquirido por R$ 21 milhões.

A unidade deverá iniciar as operações no primeiro semestre do ano que vem.

A previsão é que sejam gerados 300 empregos.

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Fora da tomada

A demanda de energia no mercado livre (que engloba grandes consumidores, como shoppings e fábricas) caiu 3,78% em julho ante o mesmo mês de 2014, segundo a comercializadora Comerc.

A redução no consumo ajudou a manter o nível dos reservatórios de água no país, o que pressionou o preço da energia para baixo.

No mercado à vista (spot), o megawatt-hora chegou a R$ 135. Até o início de junho, estava próximo do teto (R$ 388). Para 2016, a energia está sendo comercializada a R$ 200. No início do ano, ultrapassava R$ 300.

"A queda no consumo está ajudando a recompor o nível dos reservatórios", diz o presidente da empresa, Cristopher Vlavianos.

10,66% foi a queda no consumo no setor de veículos e autopeças em julho ante julho de 2014

8,87% foi a retração no segmento de siderurgia e metalurgia

0,44% foi o recuo no comércio

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Em alta na baixa

A demanda por profissionais cuja atuação implique corte de custos está aquecida, aponta levantamento da consultoria PagePersonnel.

São substituições por funcionários que ganham menos. Por exemplo: secretárias experientes por juniores, diz Ricardo Ribas, gerente-executivo da consultoria.

O outro tipo profissional em alta é o que traz economia por sua atuação, como especialistas em negociar aluguéis, que irão trabalhar para que a empresa gaste menos com essa despesa.