Com a retração, cai o preço da energia livre

Veículo: Estadão

Seção: E&N

Em flagrante contraste com o que ocorria em meados de 2014, os preços médios do mercado livre de energia elétrica estão agora em queda, favorecendo os contratos a mais longo prazo que os grandes consumidores industriais vêm realizando. Levantamento da Dcide, especialista no setor elétrico, informa que o preço médio da energia contratada para 2016, que era de R$ 310 por megawatt-hora (MWh) em fevereiro, baixou 22,6% este mês, ficando em cerca de R$ 240/MWh. Para o fornecimento de energia entre 2016 e 2019, o preço em julho está em R$ 183,48, uma queda de 10,42% em comparação com o mesmo período do mês passado.

Essa redução resulta da queda da demanda de energia por parte dos grandes consumidores, refletindo o baixo nível de atividade industrial. Nota-se, por sinal, que, para poupar os reservatórios das hidrelétricas para o verão, quando o consumo é maior, o País continua usando intensamente as termoelétricas, como informou há pouco o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Convém esclarecer que este não é o tipo de energia vendida no mercado regulado para atender residências, estabelecimentos comerciais e muitas indústrias e que tem sofrido grandes aumentos, variáveis de acordo com as regiões de atendimento de cada concessionária. Como estima o Banco Central, a elevação média das contas de luz no País deve chegar a 43,4% este ano.

A energia vendida no mercado livre representa o excedente previsto da geração. Como se recorda, o preço de liquidação de diferenças (PLD) – o custo da energia no mercado spot – alcançou R$ 822,83/MWh em 2014. A especulação neste mercado fez com que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fixasse em R$ 388,48/MWh o teto para o PLD.

A evolução recente do mercado livre não significa prejuízo para as geradoras, uma vez que se presume que elas estejam vendendo energia para entrega futura a um preço acima do custo de produção. Os grandes consumidores, que estão contratando eletricidade agora para uso nos próximos anos, procuram se prevenir quanto a uma eventual alta da energia, que, no caso de muitas indústrias, têm um forte impacto em seus custos de produção.

Embora os especialistas sejam cuidadosos, evitando falar em novo patamar de preço no mercado livre, não há dúvida de que a queda dos preços para as grandes indústrias contribui para elevar sua competitividade tão afetada nos últimos anos.