Indústria surpreende com alta de 0,6%, a maior desde julho de 2014

Veículo: Folha de S. Paulo

Seção: Mercado

Quando considerado o mesmo mês do ano anterior, a queda em abril foi de 8,8%, 15ª taxa negativa nessa base de comparação e a segunda mais acentuada neste ano. Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (2).

O centro das expectativas (mediana) em pesquisa da agência internacional Bloomberg era de que a produção caísse 0,40% em maio sobre o mês anterior na mediana das projeções de 25 analistas, e que recuasse 10% ante o ano anterior.

O resultado mensal é o melhor desde julho de 2014, quando a produção avançou 0,8%.

Ele ainda é, porém insuficiente para recuperar a perda acumulada de 3,2% entre fevereiro e abril. Assim, o setor industrial acumula perdas de 6,9% nos cinco primeiros meses de 2015.

Entre as categorias de produção, o destaque ficou para bens de consumo semiduráveis e não duráveis, com alta de 1,2% em maio sobre abril para interromper sete recuos mensais seguidos, quando acumulou queda de 8,5%.

Já bens de capital, uma medida de investimento, voltou a registrar taxa positiva, de 0,2% em maio, após três quedas seguidas.

SETORES

Em relação aos 24 ramos pesquisados, segundo o IBGE, 14 registraram alta na produção, sendo as principais influências positivas outros equipamentos de transporte (8,9%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,1%) e perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (1,9%).

Apesar da leve recuperação em maio, para junho o cenário já indica problemas. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) aponta que a indústria brasileira encerrou o segundo trimestre com contração devido às dificuldades econômicas que afetam a entrada de novos negócios.

A indústria vem exercendo um dos principais pesos sobre a economia brasileira como um todo, em meio a inflação alta, juros elevados que encarem o crédito e confiança abalada.

A expectativa de especialistas na última pesquisa Focus é de que a produção do setor vai recuar este ano 4,0%, com o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrando contração de 1,49%.