Rhodia investe na modernização da fábrica de fios em Santo André

Veículo: Valor

Seção: Economia

A Rhodia, empresa que integra o grupo belga Solvay, está investindo R$ 50 milhões na modernização da produção de fibras e fios têxteis em Santo André (SP), como parte da estratégia de direcionar cada vez mais seus negócios para a área de inovações. Atualmente, produtos lançados há menos de cinco anos representam 20% do faturamento. A meta é dobrar essa fatia para 40% até 2018. Ao mesmo tempo, a unidade global de negócios de fibras de poliamida (nylon) do grupo, com gestão desde o Brasil, tem nova liderança.

A partir de 1º de julho, o engenheiro Renato Boaventura, que fez carreira na Rhodia, assume a presidência da GBU (na sigla em inglês) Fibras, no lugar de Francisco Ferraroli, que se aposentou. "Nos últimos dois anos, a unidade tem passado por grande transformação. A inovação passou a ser desenvolvida no Brasil e exportada para outras regiões. Anteriormente, tudo o que era novo vinha da Europa", contou Boaventura. Um dos reflexos dessa aposta no país foi a inauguração, no início do mês, do primeiro laboratório da Solvay completamente dedicado à biotecnologia em Paulínia, no interior de São Paulo.

O Laboratório de Biotecnologia Industrial (IBL, na sigla em inglês) tem como foco principal a pesquisa "de novos processos e moléculas derivados da biomassa e a sua transformação em soluções inovadoras para atender aos mercados de atuação da empresa". O investimento na fábrica de Santo André abrange a instalação de equipamentos de última geração em texturização e modernização das fiações têxteis, sem, todavia, elevar a capacidade produtiva. No fim de 2012, já havia aplicado R$ 20 milhões para ampliar em 20% a produção na fábrica, que hoje é de 30 mil toneladas ao ano e emprega 700 funcionários.

Como parte dessa transformação da poliamida commodity para os chamados fios inteligentes, a Solvay anunciou em meados de abril o encerramento da produção de fios e fibras na fábrica de Jacareí (SP). À época, o grupo informou que a retração da demanda, como resultado da crise econômica, justificava a medida. "A fábrica de Jacareí foi montada quando a de Santo André estava tomada.

Agora, temos espaço em Santo André e um projeto em curso de investimento em modernização, o que permitiu concentrar toda a produção ali", afirmou. Há alguns anos, disse o executivo, o mercado de poliamida no país crescia a taxas de dois dígitos, porém, desde 2012, a desaceleração foi significativa. Para este ano, a expectativa é de queda de 5%, com retorno ao terreno positivo em 2016, quando o mercado pode crescer cerca de 2%, projeta a Rhodia. "O plano de modernização começou a ser desenhado há dois anos. Hoje, o momento é muito difícil para o país e o mercado têxtil, mas estamos preparados", disse.

O desembolso, conforme a Solvay, atende ao menos três objetivos: ganhar produtividade com qualidade, ampliar a competitividade e fabricar produtos inovadores, pois os novos equipamentos aceleram o processo de desenvolvimento e produção. O projeto será concluído até fim de setembro. Além de atender a mercado local, as produção de têxteis em Santo André também são exportados. O país sedia a única fábrica de fibras e fios do grupo. No caso do Emana, fio têxtil que teria atuação na redução dos sinais de celulite e no retardamento da fadiga muscular e foi desenvolvido no Brasil, 50% da produção é embarcada para a Europa, Ásia e, mais recentemente, para os Estados Unidos.

A Rhodia também é dona do Amni Soul Eco, primeiro fio de poliamida do mundo, que é biodegradável. Na próxima semana, vai apresentar, no Salão Moda Brasil, uma nova geração de fios. Com isso, a cadeia da indústria têxtil é capaz de reduzir consumo de água em 19 milhões de litros por ano.