Emprego industrial cai 4,6% no 1º tri, maior queda no período desde 2002

Veículo: Folha de S. Paulo

Seção: Mercado

O emprego na indústria teve queda de 4,6% no primeiro trimestre de 2015 em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo informou o IBGE nesta terça-feira (19).

É a maior queda para um primeiro trimestre desde o início da série história do IBGE, iniciada em dezembro de 2000 –o primeiro início de ano registrado com variação percentual, portanto, foi em 2002 (-1,83%). É também o pior trimestre considerando todos os trimestres desde o terminado em setembro de 2009 (-6,4%).

O setor sofre com a competição de importados e a menor exportação, além do pouco dinamismo da economia, afetada por juros maiores, crédito restrito e baixa confiança de consumidores e empresários.

As perdas são generalizadas entre todos os 18 ramos pesquisados (leia mais abaixo). Com a nova baixa, o emprego industrial acumula agora 14 trimestres consecutivos de queda de pessoal ocupado assalariado.

A intensidade das perdas também é crescente. No ano passado, as taxas negativas foram de 2% no primeiro trimestre a 4,4% no quarto trimestre.

No acumulado dos últimos 12 meses, o total do pessoal ocupado na indústria recuou 3,9%, mantendo a trajetória descendente iniciada em setembro de 2013.

Para essa pesquisa, realizada diretamente com as empresas, o IBGE não divulga números absolutos de empregos.

COMPARAÇÃO MENSAL

Na passagem de fevereiro para março, na série livre de efeitos sazonais, a queda do emprego industrial foi de 0,6% (veja gráfico abaixo), terceira baixa consecutiva na comparação entre um mês e o mês anterior.

Na comparação entre março de 2015 e o mesmo mês do ano anterior a queda foi de 5,1%. É o 42º resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação.

Trata-se também da queda mais intensa para esse parâmetro desde outubro de 2009 (-5,4%).

SETORES

Neste ano, as perdas foram generalizadas, com todos os 18 ramos acompanhados pelo instituto apresentando taxas negativas na comparação deste primeiro trimestre com o mesmo período do ano anterior.

O maior impacto veio de máquinas e aparelhos eletroeletrônicos (-11,9%), seguido por produtos de metal (-9,3%) e meios de transporte (-8,8%).

Outros destaques negativos foram máquinas e equipamentos (-5,1%), alimentos e bebidas (-1,5%), calçados e couro (-7,1%) e vestuário (-4,3%).

RENDA

Os indicadores apontam para enfraquecimento pela frente. O número de horas pagas teve queda de 0,3% em março, na comparação ao mês imediatamente anterior.

Ele é considerado um indicador antecedente do setor porque os empresários, antes de contratarem, ampliam primeiro as horas extras. Dessa forma, menos horas pagas apontam para pouca demanda por mais trabalho.

Já a folha de pagamento real dos trabalhadores na indústria, ajustado sazonalmente, mostrou ligeira variação positiva de 0,1% frente ao mês anterior.

O setor interrompeu assim dois meses consecutivos de queda: houve baixa em janeiro (-0,7%) e fevereiro (-0,6%).

O número foi influenciado no mês pelo setor extrativo (11,8%), que havia recuado 17,9% no mês anterior.