Varejistas ainda ‘tímidas’ no comércio eletrônico

Veículo: Textile Industry

Seção: Economia

Maioria das grandes redes na área de moda ainda tem receitas incipientes com canais de e-commerce. Pernambucanas e Riachuelo não oferecem plataforma de vendas online    O comércio eletrônico ainda engatinha entre as maiores varejistas do setor de vestuário no Brasil. Apesar de a categoria moda e acessórios ter faturado no ano passado R$ 5,68 bilhões no varejo online brasileiro, as redes de lojas físicas têm presença tímida em termos de vendas via web.

Pernambucanas e Riachuelo não dispõem de plataformas de e-commerce.     Mesmo com o crescimento acelerado das vendas pela internet, Renner, Marisa e Hering ainda apresentam receita incipiente neste canal, de acordo com dados de balanço. A multinacional de origem holandesa C&A lançou em  janeiro sua nova plataforma de vendas online. 

   Na Renner, o e-commerce ainda representa menos de 1% da receita total, segundo informou a varejista na teleconferência de resultados referente ao primeiro trimestre de 2015.     “Com as mudanças recentes no site, a loja virtual da Renner, que já registra crescimento relevante em vendas a cada mês, deve intensificar este ritmo e,em curto prazo, consolidar-se como a maior loja da rede”, projeta Paulo Soares, diretor de Operações das Lojas Renner.     A rede lançou oficialmente seu e-commerce em 2010, mas antes disso já comercializava lingerie pelo canal virtual. Do total de vendas brutas da Hering no mercado interno, apenas 1,3% (R$ 25,3 milhões) vieram das lojas virtuais da marca no ano passado. Já a participação das varejistas multimarcas ficou em 47,8%, seguida pelas franquias (38,2%) e lojas próprias (12,7%).  

   Em 2013, a participação das webstores foi de 1,2%. Procurada para comentar o tema, a Hering optou por não se pronunciar. A divulgação dos resultados financeiros da empresa no primeiro trimestre está prevista para amanhã.    Lançado em 1999, o canal de e-commerce da Marisa ainda não é rentável, conforme reconhece a empresa no relatório de resultados do primeiro trimestre.     “Os canais de e-commerce e de venda direta estão em fase de desenvolvimento e requerem gastos e investimentos inicialmente superiores à geração de resultados e que prejudicam o resultado consolidado do varejo”, informou a empresa no documento.     Mesmo assim, a companhia projeta para este ano o break even (ponto de equilíbrio entre despesas e receitas) de seu braço online de vendas, segundo informou ontem Adalberto Santos, diretor financeiro e

Relações com Investidores da Marisa, em teleconferência com analistas. Originalmente, o ponto de equilíbrio do negócio digital estava previsto para 2016.    No primeiro trimestre deste ano, a Marisa registrou prejuízo líquido de R$ 5,3 milhões, ante um resultado positivo de R$ 13,8 milhões no mesmo período de 2014.    A receita líquida consolidada totalizou R$ 682,3 milhões entre janeiro e março, o que representou um recuo de 2,2% na comparação anual. A receita líquida da operação de varejo encolheu 3,1%no trimestre, em relação a igual período de 2015, vitimada por uma queda generalizada no fluxo de consumidores nas lojas.   

A Riachuelo, do Grupo Guararapes, previa para este ano o lançamento de sua plataforma de  e-commerce, mas o projeto foi adiado para o próximo ano por questões de “estratégia da marca”, limitou-se a informar a assessoria de imprensa da varejista.     Pernambucanas e C&A não quiseram comentar o assunto.    De acordo com dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o segmento brasileiro de e-commerce movimentou R$ 39,5 bilhões no ano passado. Desse montante, a maior participação foi a da categoria moda e acessórios (14,4%), líder no ranking desde 2012.    

De 2009 para cá, houve uma virada no e-commerce brasileiro. Antes, moda e acessórios estava no 16º lugar. Em 2012, chegou à primeira colocação e não saiu mais”, conta Maurício Salvador, presidente da ABComm.    “Comprar roupa pela internet é um hábito novo para o brasileiro e predominantemente feminino.”    Para o consultor especializado em varejo Rubens Panelli Júnior, o e-commerce não agrega muito valor ao negócio dos varejistas físicos que trabalham com artigos de moda com preço médio baixo, nos quais frete pesa muito.    

“São empresas de fast fashion. Elas têm de vender rápido e o e-commerce tem um giro de estoque que é mais lento que o das lojas”, explica o sócio diretor da Panelli & Associados.     O especialista lembra que algumas das maiores varejistas online do Brasil geram caixa mas não lucro — a própria Amazon só saiu do vermelho há pouco tempo. “A C&A teve e-commerce na década de 90 e desistiu”, diz.      

Brasil Econômico – SP