O varejo em ano de estagnação e recessão

Veículo: Textile Industry

Seção: Economia

Por Luis Henrique Stockler*

Apertar o cinto. Esse será o lema de todos os setores para os próximos meses do ano de 2015. Às empresas que esperavam uma retomada após o Carnaval, o choque de realidade já veio à tona. Tanto as que atuam no segmento de bens de consumo: linha branca, automóveis e eletrodomésticos, como também o varejo em geral, incluindo as empresas prestadoras de serviço. O impacto da desaceleração econômica está forte e não há quem não sinta os reflexos em seus respectivos faturamentos.

Entretanto, em meio a esse turbilhão, dois setores poderão ver uma luz no final do túnel: o de alimentação, os brasileiros estão optando, cada vez mais, por delivery, rotisserias e restaurantes, e o de vestuário, se souber aproveitar o período de troca de coleções. Eles são a “bola da vez”, já que sempre há grandes liquidações e, com isso, atração para que os consumidores comprem mais e, nesse momento, acabem por se alimentar fora de casa.

Porém, isso não quer dizer que não terão desafios pela frente, fazendo-os rever o planejamento de ações para os próximos meses do ano.

Ainda nesse contexto, mas migrando para os cenários dos grandes centros comerciais, o grande gerador de fluxo nos shoppings, por exemplo, é o mercado de moda, que acaba alavancando lucro para outros setores. Uma alternativa para continuar no ritmo crescente é ampliar o período de liquidação e investir na compra casada. A indústria de vestuário e as lojas devem aproveitar a presença do consumidor no PDV para esvaziar os estoques. Estender preços menores por mais tempo será uma ótima pedida para fazer bons negócios e manter as vendas no varejo.

Com essa maior movimentação, os outros setores, como o de alimentação também tende a se beneficiar. Estando no shopping para uma compra de oportunidade, o consumidor tende a se alimentar fora de casa também. Porém, o empreendedor deste segmento deve ficar atento e renovar seu maquinário, pensando, principalmente, em economizar água, problema que está atingindo as grandes metrópoles brasileiras.

Algumas redes estão pensando em mudar o horário de atendimento em função do horário de abastecimento da água, mas, via de regra, isso é um erro. O cliente já está habituado a frequentar o local em determinado dia e horário e respeitar essa demanda é fundamental para manter as vendas aquecidas. Uma alternativa é, ao invés de lavar louça na mão, aos poucos, optar por uma máquina de lava-louça com maior capacidade, otimizar freezer e geladeira, para gastar menos energia, ampliar a capacidade de armazenamento da água (instalar nova caixa d’água) e até temporizadores para as torneiras e descargas. A economia não deve ser só do consumidor, mas do empresário também, para não fechar as portas na cara do cliente.

2015 será um ano de estagnação e, em alguns casos, até de recessão para muitos setores. É importante ter jogo de cintura, planejar as ações e economizar para conseguir manter as contas no azul.