Algodão sobe no mercado interno

Veículo: Valor

Seção: Economia

A queda do dólar perante o real nas últimas semanas permitiu que o mercado interno voltasse a ser vantajoso para os produtores brasileiros de algodão, já que o preço interno da pluma, convertido à moeda americana, está maior que o valor negociado no mercado internacional. Na sexta­feira, a pluma foi ofertada em Mato Grosso a R$ 2,11 a libra­peso, segundo acompanhamento da Diversa Corretora de Cereais, sediada em Rondonópolis.

Em dólares, esse preço equivale a 71 centavos de dólar a libra­peso. No mercado internacional, a cotação do algodão ficou muito abaixo desse patamar, apesar da elevação registrada no mesmo dia, fechando a 66,34 centavos de dólar. "Quando o dólar estava em R$ 3,30, o mercado externo estava melhor. Foi isso que ajudou a sair vendas de algodão", afirma Christian Reich, sócio­diretor da Fibra Corretora. Na sexta, a moeda americana voltou ao menor valor desde 3 de março e fechou em R$ 2,9537, acumulando uma queda de 2,72% ao longo da semana. A virada do dólar em abril reverte o cenário de março, quando os produtores mato­grossenses aproveitaram a onda da desvalorização cambial para exportar 91,85 mil toneladas de pluma, o segundo melhor primeiro trimestre da história para o Estado em volume exportado, segundo o Instituto Mato­grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Os negócios, entretanto, seguem lentos, tanto por falta de interesse das indústrias em acertar compras de longo prazo como pela cautela dos produtores com a nova safra que está sendo cultivada nas lavouras. As indústrias estão com poucos estoques, mas preferem comprar "da mão para a boca", ou seja, em pequenas quantidades e conforme a necessidade, com a expectativa de que os preços internos deem uma arrefecida.

Segundo Reich, as empresas podem voltar a acertar negócios se as cotações internas baixarem para R$ 2,00 a libra­peso. Já os produtores que já acertaram a comercialização antecipada de 30% a 40% da produção que esperam colher a partir de junho, referente à temporada 2014/15, planejam agora vender a outra parte da safra somente no mercado disponível. "Eles vão esperar o resultado da colheita e do beneficiamento" para auferir a qualidade da oferta e voltar a negociar, diz o corretor.