Relatório de Inflação desperta para o câmbio e BC se explica

Veículo: Valor Econômcio

Seção: Economia

O câmbio foi promovido pelo Banco Central do Brasil. Passou de coadjuvante para protagonista em duas semanas – entre a publicação da mais recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Relatório de Inflação do primeiro trimestre de 2015, nesta manhã. No último dia 12, quando foi apresentada a ata com justificativas para mais um aumento da taxa Selic de 0,50 ponto percentual, para os atuais 12,75% ao ano, as pressões cambiais – responsáveis por um rebuliço nos mercados internacional e doméstico desde fevereiro ­­ foram tratadas como um adendo, embora em março, até aquela data, o dólar já acumulasse valorização de 8,7% ante o real. Atualizando o calendário e a relação das moedas, a valorização do dólar na comparação com o real em março, até o fechamento dos negócios ontem, alcançava 11,3%.

Pressionado demais para ser tapado com a peneira, o câmbio transformou­se em vedete no documento publicado hoje pelo BC. Foi tema de dois ‘boxes’ do Relatório do primeiro trimestre: “Influência dos preços das commodities sobre o repasse cambial” e “Repasse cambial para os preços”. O câmbio não foi destaque em nenhum ‘box’ dos quatro relatórios trimestrais publicados pelo BC em 2014, apesar da relevante mudança de comportamento da moeda americana frente ao real observada na passagem do segundo para o terceiro trimestre do ano. Lembrando que aqueles trimestres foram coincidentes com a progressiva regressão do “quantitative easing” pelo Federal Reserve, que acabou, definitivamente, em outubro.

A expectativa pelo ciclo de aperto de juros nos EUA elevou globalmente o preço do dólar, frente às moedas fortes e emergentes – especialmente o real brasileiro. Se, no Brasil, o primeiro trimestre de 2015 fosse encerrado ontem, 25 de março, o dólar teria valorizado 20,6% no período; no quarto trimestre de 2014, o avanço do dólar ante o real foi de 8,4%; no terceiro trimestre, de 11,3%; no segundo, o dólar perdeu 6% na comparação com o real.