Para BC, inflação de 4,5% em 2016 é factível

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, reiterou ontem que é "factível" o objetivo de levar a inflação ao centro da meta no ano que vem.

Veículo: Valor Econômico

Seção: Economia

Segundo ele, o Comitê de Política Monetária (Copom) vai se manter vigilante "para assegurar que a inflação mensal em patamar elevado fique circunscrita aos primeiros meses de 2015 e, principalmente, para assegurar a convergência da inflação acumulada em 12 meses para o centro da meta em 2016".

Em apresentação num evento do Goldman Sachs, em São Paulo, Tombini elencou cinco fatores que ajudarão a levar a inflação a 4,5% no próximo ano. Além da tradicional afirmação de que a política monetária ficará "vigilante", o presidente do BC apontou um alinhamento das políticas macroeconômicas; a concentração do "significativo" reajuste de preços administrados no primeiro trimestre de 2015; um mercado de trabalho "menos tensionado" e, por último, o comportamento dos preços das commodities e o enfraquecimento de moedas como o euro, que ajudam a mitigar os efeitos da alta do dólar.

O presidente do BC afirmou que a política monetária tem levado em conta o fato de que a economia brasileira está crescendo abaixo de seu potencial, "qualquer que seja esse potencial".

No início de sua palestra, Tombini destacou que 2015 será um ano de transição para a economia brasileira, que passa por um ajuste "importante e necessário" para retomar o crescimento sustentável. "O governo federal está adotando amplo, profundo e consistente conjunto de medidas fiscais, que inclui contenção de despesas correntes e parafiscais, eliminação de subsídios, realinhamento de tarifas públicas, bem como medidas de cunho mais estrutural", disse.

A expectativa do mercado de que o presidente do BC aproveitaria a ocasião para dar algum sinal sobre a prorrogação do programa de swaps cambiais foi frustrada. Tombini não mencionou o assunto em sua apresentação e, questionado sobre o tema, não deu nenhuma pista. Ele disse que a decisão do Banco Central sobre a continuidade do programa será tomada "nas próximas semanas". A oferta de contratos de swap cambial está prevista até o dia 31.

O presidente do BC disse que o programa foi criado para oferecer proteção ao setor produtivo não financeiro diante da percepção do Banco Central, há dois anos, de que haveria uma transição na política monetária global.

Anteontem, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, sinalizou que a oferta de swaps cambiais será encerrada. "O BC já anunciou que a política é de rolar suas posições. Mas prefiro que o Tombini fale sobre isso", disse em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). Ontem, Barbosa disse ao Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, que cabe ao BC decidir sobre a continuidade do programa.

No evento do Goldman Sachs, Tombini destacou que a economia global continua em recuperação, mas de forma desigual. Enquanto os Estados Unidos se consolidam como principal motor da economia mundial, a Europa mantém níveis de atividade fracos e os países emergentes apresentam perda de dinamismo.

Segundo ele, o conjunto de indicadores de atividade positivos nos EUA pode dar suporte a uma elevação dos juros americanos. "O consumo naquele país tem se expandido e registrou em 2014 a maior contribuição ao Produto Interno Bruto dos últimos anos. O mercado de trabalho tem mostrado consistente recuperação e fortalecimento, e já há sinais iniciais de aumento de salários", ressaltou.

Enquanto Tombini discursava, o Fed, banco central americano, anunciava o resultado de sua reunião de política monetária. Como se esperava, foi retirada do texto do comunicado a palavra "paciência", abrindo caminho para uma possível elevação do juro básico. Porém, os membros do BC americano esperam que o ritmo dos aumentos seja menos agressivo do que se projetava em dezembro.

Para Tombini, o processo de valorização do dólar é um fenômeno global e com implicações para os Estados Unidos, que podem perder um pouco do ímpeto da expansão econômica, e também para outros países.