China - A Fábrica do Mundo

 

 

Veículo: Textile Industry

Seção: Economia

Desde o final da década de 1970, a China evoluiu de um sistema económico fechado e planeado ao nível central, para um sistema mais aberto e orientado para o mercado externo. Gradualmente, O Império do Meio passou a desempenhar um papel cada vez mais significativo ao nível internacional.
 

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A fábrica do mundo

Após várias décadas de abertura gradual, a China tornou-se em 2010 no maior exportador do mundo. As reformas políticas e económicas começaram com a eliminação progressiva da agricultura coletivizada e expandiram-se de forma a incluir a liberalização dos preços, a descentralização fiscal, a maior autonomia para as empresas estatais, o crescimento do sector privado, o desenvolvimento dos mercados de ações e de um sistema bancário moderno, e a abertura ao comércio externo e ao investimento.

Atualmente, a China desempenha um papel fundamental no panorama económico e financeiro mundial. O seu crescimento é considerado um dos principais “motores” da economia global e a magnitude do seu sector produtivo sustenta em larga medida a dinâmica da oferta mundial, designadamente em termos de preços de matérias-primas. Além disso, a China detém o maior montante de reservas do mundo, encontrando-se uma componente significativa das mesmas investidas em obrigações de longo prazo do Tesouro dos Estados Unidos.

De acordo com a análise publicada pela AICEP Portugal Global e com base nos dados do Banco Mundial, a China registou em 2008 uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 9,6%, tendo-se observado um abrandamento relativamente a 2007, ano em que este indicador foi de 14,2%. Em 2009, verificou-se um acréscimo um pouco inferior ao do ano anterior, na ordem dos 9,2%. Estas desacelerações foram o reflexo da crise da economia mundial. Em 2010, registou-se um incremento do PIB de 10,4%, acima do que se verificou nos dois anos anteriores. O crescimento económico voltou a ser menor em 2011, na ordem dos 9,3%, ficando próximo do valor percentual de 2009. Em 2012, o crescimento económico baixou para 7,7% devido, sobretudo, ao menor ritmo de crescimento das exportações e à desaceleração do investimento no desenvolvimento do sector imobiliário. A percentagem relativa ao acréscimo do PIB em 2013 foi igual à do ano anterior, prevendo-se um incremento de 7,2% em 2014. Segundo o Economist Intelligence Unit, espera-se que a taxa de crescimento real do PIB desacelere gradualmente ao longo do período de 2014 a 2018.

A China é o país que possui a maior população do mundo e, por conseguinte, possui o potencial para transformar-se no maior consumidor mundial de têxteis e vestuário, conforme salienta a análise do Textiles Intelligence. O consumo doméstico de têxteis e vestuário na China está a aumentar rapidamente, em linha com o rápido crescimento económico e o aumento dos rendimentos dos seus cidadãos.

O crescente nível das vendas a retalho na China reflete em grande parte as fortes mudanças que estão a ocorrer no seio da sociedade chinesa. Entre estas mudanças encontra-se a migração da população das zonas rurais para as zonas urbanas, onde as oportunidades de emprego são maiores e os salários mais elevados. Esta migração está a exercer um profundo efeito sobre os estilos de vida e esse efeito é em parte manifestado pelo crescimento do consumismo. Além disso, é um objetivo claro do governo chinês encorajar a população do país a aumentar os gastos e a diminuir as poupanças. Esta é considerada uma forma importante de assegurar a sustentabilidade do crescimento económico da China no longo prazo.

O mercado chinês de vestuário está a tornar-se mais versátil, está a ficar mais na moda e segmentado. Existe uma procura gradual mas crescente por “vestuário de conforto”, na medida em que cada vez mais consumidores demonstram a preferência por vestuário de qualidade fabricado com algodão e outras fibras naturais. Esta evolução ajuda a explicar a mudança no consumo das fibras não-naturais em prol do algodão, embora o vestuário com fibras não-naturais ainda represente uma parte significativa do mercado.

No entanto, existe ainda um longo caminho a percorrer, até que os gastos per capita dos consumidores chineses fiquem equiparados com os de mercados mais maduros da América do Norte e Europa. Em 2012, os gastos de vestuário per capita dos consumidores na China foram avaliados em apenas 290 dólares por ano nas localizações urbanas e 63 dólares por ano nas áreas rurais, de acordo com os dados do China National Textile & Apparel Council (CNTAC) divulgados pelo Textiles Intelligence. De qualquer forma, estes dados representaram aumentos de 111,7% e 152,0%, respetivamente, em comparação com 2007.

O desenvolvimento das vendas de vestuário na China tem sido ajudado em grande medida pela crescente sofisticação do retalho chinês. Foi registada uma diversificação marcante do consumo de vestuário durante a última década, à medida que os segmentos de mercado expandiram em todo o espetro, desde gama baixa a gama alta, e os consumidores tornaram-se mais conscientes da moda. Novos formatos de retalho e lojas especializadas estão a surgir e a gerar nova procura por têxteis e vestuário. Além disso, os retalhistas estrangeiros estão a aumentar a sua presença na China. Em anos recentes, diversas marcas ocidentais (incluindo C&A, Gap, H&M, Uniqlo e Zara) entraram no mercado de retalho chinês de forma bem-sucedida e os seus produtos encontram-se difundidos junto dos consumidores chineses.

As importações chinesas de têxteis e vestuário são relativamente pequenas em comparação com o conjunto das suas importações de mercadorias, conforme salienta a análise do Textiles Intelligence. A quota das importações de têxteis e vestuário desceu ao longo dos últimos anos. Em 2013, os têxteis e o vestuário representaram apenas 1,2% do total das importações chinesas em comparação com uma quota de 6,2% registada no ano 2000.

No entanto, apesar da importância relativa dos têxteis e vestuário no total das importações da China ter diminuído significativamente entre 2000 e 2013, o valor absoluto destas importações aumentou dos 14 para os 22,8 mil milhões de dólares, representando um aumento de 62,5% ao longo de 13 anos. As importações cresceram em termos anuais durante este período, com a exceção de 2009 e 2013, e atingiram o pico em 2012, ano em que ficaram cifradas nos 24,3 mil milhões de dólares.

A China beneficia de um enorme excedente no seu comércio externo de têxteis e vestuário. Em 2013, o valor das suas exportações de têxteis e vestuário foi 12,5 vezes maior do que o valor das suas importações destes produtos, originando um excedente comercial de 261,2 mil milhões de dólares.

As importações chinesas de têxteis ascenderam a 17,5 mil milhões de dólares em 2013, sendo responsáveis por uma quota de 76,7% do total das importações de têxteis e vestuário. As importações de têxteis em 2013 ficaram 36,1% acima do valor registado em 2000, ano em que atingiram os 12,8 mil milhões de dólares e foram responsáveis por uma quota de 91,5%.

Por seu lado, as importações chinesas de vestuário ficaram cifradas nos 5,3 mil milhões de dólares em 2013. Este valor representou uma quota de 23,3% do total das importações de têxteis e vestuário. As importações de vestuário em 2013 foram 346,2% mais elevadas do que em 2000, ano em que atingiram 1,2 mil milhões de dólares e representaram uma quota de 8,5%. Entre 2000 e 2013, as importações de vestuário aumentaram de forma estável, com a exceção da queda registada em 2009 que foi atribuída ao impacto da recessão mundial.

De acordo com os dados do Eurostat, as exportações de têxteis e vestuário de Portugal com destino à China aumentaram 10,8% em termos de valor em 2013, passando dos 33,76 milhões de euros para os 37,42 milhões de euros, após uma subida de 46,0% em 2012. O desempenho das exportações com destino ao mercado chinês ficou acima do desempenho registado ao nível extracomunitário em 2012 e 2013, períodos em que as exportações em valor cresceram 6,5% e 8,7%, respetivamente.

No primeiro semestre de 2014, as exportações portuguesas de têxteis e vestuário destinadas à China conheceram um crescimento de 10,7% (acima do crescimento de 8,% registado para as exportações com destinos extracomunitários). Nos primeiros seis meses do ano passado, as exportações portuguesas de produtos têxteis com destino à China aumentaram 10,9% enquanto as exportações de vestuário aumentaram 9,5%.