Copom confirma - é hora do ajuste macroeconômico

 

Veículo: Valor Econômico

Seção: Economia

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic em 0,50 ponto percentual ontem à noite, para 12,25% ao ano. A decisão, esperada, diz muito sobre o governo Dilma Rousseff inclusive por não representar, neste início de 2º mandato, garantia contra o pessimismo que têm (atualmente) na equipe econômica um poderoso antídoto. A Selic a 12,25% é eloquente. Mostra um retrocesso ao ressuscitar a taxa básica mais alta em três anos e meio, por ser parte do terceiro ciclo de aperto monetário lançado desde o início do 1º mandato da presidente e pelo fato de todo o esforço monetário não ter combatido sequer a deterioração das expectativas.

Três ciclos de aumento de taxa básica em quatro anos de governo é uma reincidência incomum em países que não estão amargando crises. Sugere algo fora do lugar. E não necessariamente é a política monetária a razão de desequilíbrios, mas opções equivocadas de política macroeconômica que não são superados simplesmente com o manejo da taxa de juro. A percepção ou a consciência da presidente Dilma Rousseff de o Brasil acusa esse problema há tempos seria a melhor razão a justificar o aval que tem dado às decisões da atual equipe econômica.

Os dois primeiros ciclos de aumento da Selic ocorreram de  Janeiro de 2011 a Agosto de 2011 e de Maio de 2013 a Abril de 2014. A taxa foi ajustada em, respectivamente, 1,25 ponto percentual e em 3,75 pontos e, nesses dois momentos, em meio a pressões inflacionárias correntes e a indícios de desancoragem das expectativas de inflação. Apesar da mobilização da autoridade monetária, a inflação não deixou de tentar, a cada ano e com algum sucesso, ultrapassar a variação alcançada no período anterior – numa teimosia que levou credenciados analistas a considerar o BC leniente com a inflação.

O terceiro ciclo de alta da Selic  embora tendo início há pouco, em novembro do ano passado, e ainda estar em curso , pode ser precursor de um novo momento para a gestão da política monetária, mas principalmente para as perspectivas da economia brasileira.

Na engrenagem, o atual ciclo de alta não mudou. É um replay dos anteriores. E o BC ainda empreende um esforço danado para administrar as expectativas. No entanto, pela primeira vez em anos, departamentos econômicos de instituições financeiras com participação relevante nos principais segmentos do mercado esperam (explicita e calmamente) uma sobrecarga de inflação nos próximos meses. E, em seguida, um período de desinflação que tende a estabelecer novos parâmetros para o comportamento dos preços no Brasil.