Para Abit, os esperados ajustes econômicos da nova equipe de Dilma podem direcionar retoma

 

Veículo: Textile Industry

Seção: Economia

Setor têxtil prevê 2015 difícil

SÃO PAULO - Com perspectiva de fechar o ano com resultado negativo, a indústria têxtil espera ligeira melhora do setor em 2015. No entanto, a estimativa de avanço é tratada com cautela. A única certeza da Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) é de que o ano será difícil.

O diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel, acredita que ajustes na política econômica podem direcionar uma retomada do crescimento do setor, mesmo que a longo prazo. "Sabemos que será um ano difícil, mas esperamos que os ajustes tragam ânimo para o futuro. Há uma sensação muito ruim com o estado das coisas no País. É preciso recuperar a confiança", diz Pimentel.

Segundo o dirigente, o próximo ano deve contar com mais dias úteis, já que 2014 foi prejudicado pela realização da Copa do Mundo no País e pelas eleições. Mesmo assim, Pimentel prega cautela. "Nesse sentido será melhor. Vamos aguardar os reflexos dos ajustes econômicos, pois a partir daí as empresas poderão planejar com mais clareza suas atividades e seus investimentos. O mundo também passa por um momento conturbado e que nos impacta de certa forma, mas ainda temos muito espaço para o consumo", afirma.

Este ano, o segmento varejista têxtil deve fechar com queda entre 1% e 1,5%, de acordo com Pimentel. Para o diretor, o recuo afeta diretamente todo o setor. "O segmento foi o grande propulsor do desenvolvimento têxtil nos últimos anos. A indústria está sofrendo com isso, inclusive com perda de empregos", conta. Segundo ele, de janeiro deste ano até o início de dezembro foram cortados cerca de 20 mil postos formais.

Já a balança comercial de produtos têxteis deve fechar o ano com déficit de US$ 6 bilhões, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). A importação de produtos asiáticos cresceu 25 vezes nos últimos 10 anos. "As importações continuam absorvendo market share da produção nacional. Isso também nos leva a cortar empregos", conta Pimentel. O resultado de todo o setor será divulgado pela associação em janeiro.

Abit aprova nova equipe econômica

O diretor da Abit aprovou a nova equipe econômica formada pela presidente Dilma Rousseff. Nelson Barbosa e Joaquim Levy assumem os ministérios do Planejamento e da Fazenda, respectivamente. Alexandre Tombini permanece à frente do Banco Central. O senador Armando Monteiro (PTB) assumirá a pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

"Acho que os nomes indicados são bons e têm qualidade para engendrar a economia do País. Vamos ver em que ambiente eles vão poder desenvolver esse trabalho", alerta Pimentel. Para ele, o ambiente político pode estar conturbado devido à crise na maior empresa do País, a Petrobras. "Os desdobramentos dessa crise podem bater no Congresso e criar uma agenda que deixe as discussões paralisadas. Assim, pode atrapalhar projetos para avanços importantes, como a desburocratização de alguns setores e melhorias do sistema tributário", comenta.

Esse seria o pior dos cenários, na visão de Pimentel, já que prejudicaria uma esperada retomada da economia e geraria atraso no debate sobre esses assuntos, considerados muito importantes pelo diretor.