Bolsa respira após três quedas e fecha em alta de 3,6%; dólar cai para R$ 2,70

 

Veículo: Folha de São Paulo

Seção: Economia

A trégua na aversão ao risco no exterior ajudou o principal índice da Bolsa brasileira a fechar no azul nesta quarta-feira (17), depois de três quedas seguidas. O movimento foi potencializado pelo vencimento de opções sobre índice e índice futuro (quando termina o prazo de contratos que apostam na pontuação de indicadores), o que impulsionou setores como siderúrgico, bancos e ações ligadas às commodities.

O Ibovespa subiu 3,63%, para 48.713 pontos. É a maior alta diária desde o ganho de 5,02% registrado em 21 de novembro. O volume financeiro atingiu recorde de R$ 44,9 bilhões. O setor siderúrgico esteve entre os maiores ganhos, com CSN subindo 11,74%, para R$ 5,52, enquanto a ação preferencial (sem direito a voto) da Usiminas avançou 8,08%, para R$ 5,35.

As ações de siderúrgicas, segundo analistas, também foram influenciadas pela disputa entre a Nippon Steel e a Ternium pelo controle da Usiminas e o cenário de desvalorização do real no mês. Também circularam rumores sobre eventual fim de descontos da China nos impostos de exportação de alguns produtos siderúrgicos contendo boro.

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"Em dias que há vencimento de opções desse tipo, há muita operação estruturada que envolve ações do Ibovespa. Os operadores têm que comprar papéis e zerar suas posições nas últimas três horas do pregão, o que empurra para cima as cotações", disse Fabio Gaudino, trader da Guide Investimentos.

Segundo o analista, o ambiente mais favorável também colaborou para o ânimo da Bolsa. "A aprovação da LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] e o comprometimento do próximo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com uma política econômica mais firme foram vistos com bons olhos pelos investidores", afirmou.

"Duas coisas explicam [a alta da Bolsa]. Primeiro, o pânico anterior. Sempre tem um certo exagero emocional em cenário de aversão ao risco generalizada. Isso faz surgir oportunidades para quem está do lado de fora do mercado. A segunda questão é a percepção de que há um novo patamar para o dólar, o que ajuda todos os papéis de empresas que têm alguma correlação com a moeda americana", diz Fernando Góes, analista da Clear Corretora.

FED

No exterior, as Bolsas dos Estados Unidos subiram. Os investidores estiveram atentos ao desfecho da reunião de política monetária do Federal Reserve (banco central americano). A autoridade disse, em comunicado, que será "paciente" para subir os juros naquele país.

O índice S&P 500, que reúne as ações das 500 principais companhias listadas nos Estados Unidos, teve seu melhor dia desde outubro de 2013, subindo 2,04%.

De acordo com analistas ouvidos pela Folha, o que levou alívio aos investidores, mais que o documento em si, foi a fala de Janet Yellen, presidente do Fed, após a reunião do BC americano. "Garantiu que não há possibilidade de a autoridade monetária americana aumentar os juros nos EUA nas próximas reuniões do Fomc [comitê de política monetária do Fed]", diz Fernando Góes, analista da Clear Corretora.

"A princípio, parece que o mercado mantém sua perspectiva de elevação dos juros nos EUA apenas em meados de 2015 ou depois disso", acrescenta Wagner Caetano, diretor da consultoria Cartezyan.

PAPÉIS

Papéis da Petrobras subiram, mesmo após declaração da presidente da estatal, Graça Foster, de que o balanço da empresa pode não trazer informações confiáveis sobre os descontos feitos no patrimônio atribuído a corrupção. As ações preferenciais ganharam 2,99%, para R$ 9,66 cada um, enquanto as ordinárias, com direito a voto, avançaram 3,91%, para R$ 9,04.

No setor financeiro, fecharam no azul Itaú Unibanco (+5,05%), Banco do Brasil (+7,86%) e a ação preferencial do Bradesco (+4,90%). Este é o segmento com maior peso dentro do Ibovespa.

Do outro lado da Bolsa, a Oi despencou 9,62%, para R$ 0,94. Na véspera, a companhia defendeu a venda dos ativos portugueses da Portugal Telecom SGPS, alegando que a alienação desses ativos permitirá reforçar sua capacidade financeira e participar de uma eventual fusão ou compra da TIM.

CÂMBIO

No câmbio, o dólar chegou a abrir esta quarta-feira em alta, mas inverteu a tendência no final da manhã e fechou em queda. A virada refletiu o fortalecimento da moeda russa, após o rublo ter despencado nos últimos dias –movimento que forçou o banco central da Rússia a subir drasticamente sua taxa de juros–, além de dados fracos de inflação nos EUA terem aliviado cautela sobre um aumento antecipado nos juros americanos.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 1,32% sobre o real, cotado em R$ 2,700 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedeu 1,24%, para R$ 2,701. A moeda americana chegou a bater R$ 2,75 durante a manhã.

O ministério russo de Finanças anunciou nesta quarta que venderá reservas de divisas estrangeiras para apoiar o rublo que, nas palavras do ministério, está "extremamente desvalorizado". Apenas na última segunda-feira a moeda russa perdeu 9,58% sobre o dólar. Na terça, perdeu mais 8,62%.

Aqui no Brasil, a confirmação de continuidade das intervenções do Banco Central no câmbio em 2015 também colabora para o alívio no mercado. Os operadores, no entanto, aguardam detalhes sobre o tamanho dessas atuações.

Nesta quarta, o BC fez seu leilão diário de 4.000 contratos de swap cambial (operação que equivale a uma venda futura de dólares), pelo total de US$ 195,6 milhões. A autoridade também promoveu um novo leilão para rolar os vencimentos de 10.000 contratos de swap previstos para 2 de janeiro de 2015, por US$ 487,1 milhões.