Mercado reduz projeção para crescimento no ano

 

Veículo: Valor Econômico

Seção: Economia

Os analistas de mercado reduziram, pela quarta semana consecutiva, a estimativa para o crescimento da economia neste ano, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central. Eles também cortaram, pela terceira vez seguida, a projeção para 2015. As apostas para juros e inflação deste e do próximo ano ficaram inalteradas.

A mediana das estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2014 caiu de 0,18% para 0,16%. Para 2015, o Focus mostra que a mediana das projeções caiu de 0,73% para 0,69%. Quanto à produção industrial, a estimativa seguiu em queda de 2,50% neste ano, mas para 2015 houve ajuste para baixo, de alta de 1,23% para crescimento de apenas 1,13%.

As estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foram mantidas em 6,38%, em 2014, e em 6,50%, em 2015, e não alteraram a projeção para a Selic ao fim de 2015, que ficou em 12,50%.

Os analistas Top 5, os que mais acertam as previsões, que estimavam o juro em 12% no fim do ano que vem elevaram a projeção para 12,50%. Atualmente, a taxa básica de juros está em 11,75%. Para a inflação, as apostas do Top 5 foram mantidas em 6,28% e em 6,20% em 2014 e 2015, respectivamente.

A projeção do mercado para a inflação em 12 meses teve leve desaceleração, de 6,63% para 6,62% e, para este mês de dezembro, seguiram em 0,75%.

Embora não tenham alterado a projeção do IPCA no ano, os analistas ajustaram as estimativas para os preços administrados e o dólar, duas importantes fontes de pressão inflacionária. A mediana dos administrados neste ano subiu de 5,30% para 5,40% e no próximo saiu de 7,20% para 7,48%. O dólar saiu de R$ 2,55 para R$ 2,60 ao fim de 2014 e de R$ 2,70 para R$ 2,72 em 2015.

Os analistas acreditam que o BC elevará a Selic em mais 0,50 ponto percentual em janeiro e, depois, promoverá mais um ajuste de 0,25 ponto em março. O juro básico sairia dos atuais 11,75% para 12,25% no primeiro mês do próximo ano e para 12,50% no terceiro mês.

A taxa Selic ficaria então nesse patamar até janeiro de 2016, quando o Banco Central voltaria a afrouxar o juro, com três cortes de 0,25 ponto, com a Selic voltando a junho daquele ano ao mesmo nível de hoje, 11,75%.

Na semana passada, na ata da reunião que elevou o juro a 11,75% ao ano, o Copom manteve a expressão "especialmente vigilante" quanto à inflação, mas acrescentou que "o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia". Para o BC, a inflação vai entrar em trajetória de convergência para a meta no início de 2016. No Focus, os analistas veem o IPCA saindo de uma alta de 6,50% em 2015 para 5,7% em 2016 e 5,5% em 2017.