Setor têxtil de SC quer ter marca própria

 

Veículo: Textile Industry

Seção: Economia

A criação e o fortalecimento de uma marca que identifique o produto fabricado em Santa Catarina é uma das principais metas estabelecidas pelos setores têxtil e de confecção para o ano de 2022. Para atingir este objetivo, o setor apontou a necessidade de ações como a criação de um fundo de marketing, o fortalecimento do associativismo e a criação de observatórios de mercado. Estas conclusões estão contidas na Rota Setorial de Crescimento, lançada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) nesta terça-feira, dia 02, em Blumenau. O material foi elaborado no âmbito do Programa de Desenvolvimento Industrial Catarinense (PDIC 2022).

“A competitividade de Santa Catarina passa pela inovação. Em preço teremos sempre dificuldade em competir com países como a China. Mas, na medida em que nós investirmos em inovação, certamente teremos uma condição muito diferenciada em relação aos nossos principais concorrentes”, afirmou o presidente da Fiesc, Glauco José Corte.

Neste sentido, o material sugere ações como a criação de um fundo de financiamento da pesquisa acadêmica, a identificação de parceiros de pesquisa e desenvolvimento e o apoio à criação de programas de pós-graduação na área.

As visões de futuro definidas incluem também uma maior integração da cadeia produtiva, para que esta se torne mais competitiva. Para isso, aponta para iniciativas como a criação de banco de dados para integração, o desenvolvimento de projetos integrados que também envolvam universidades e a criação de um “cluster” da indústria têxtil catarinense.

“Para que os resultados sejam alcançados, nós precisamos investir em capital humano. Precisamos preparar os nossos colaboradores, os nossos gestores, para realmente buscar este desafio que é a competitividade”, lembrou o vice-presidente da Fiesc para assuntos estratégicos, Rui Altemburg.

No total, para atingimento das três visões de futuro, foram apontadas 285 ações de curto, médio e longo prazos. O material é resultado de estudos realizados pela Fiesc, em conjunto com pesquisadores da UFSC, e de painel de debates com a participação de industriais e especialistas do setor.

O diretor da Fiesc, Carlos Henrique Ramos Fonseca, ressaltou o alinhamento entre as rotas de crescimento setorial e o novo planejamento estratégico da Fiesc, que será lançado nesta semana, em Florianópolis. Como exemplo, citou a reformulação das câmaras setoriais da Federação, que passarão a atuar como mecanismos de governança, acompanhando execução das ações propostas pelo PDIC.

“Este planejamento do setor têxtil vai fazer com que a gente consiga tornar os nossos negócios ainda mais fortes, inteligentes e assertivos”, disse o vice-presidente regional da Fiesc para o Vale do Itajaí, Ronaldo Baumgarten Júnior.

Dados apresentados no evento apontam para uma indústria que concentra 60% dos estabelecimentos no Vale do Itajaí, que nos últimos seis anos cresceu mais em Santa Catarina que no Brasil e que possui no Estado índices de produtividade superiores aos nacionais.

 

Demais rotas - No próximo dia 4 serão lançadas, em Balneário Camboriú, as conclusões sobre os setores de construção civil e economia do mar, que inclui, entre outros, a indústria naval e a pesca. A cidade de Criciúma será palco, no dia 08, da apresentação das rotas para os setores de cerâmica, produtos químicos e plástico. No dia 10 será a vez de Florianópolis, que sediará o lançamento voltado para os setores de saúde, energia e indústria emergentes, que inclui, entre outros, as indústrias automobilística e aeroespacial.

O PDIC já teve lançadas, entre outubro e novembro, as rotas de crescimento para os segmentos de metalurgia e metalmecânica, em Joinville, e tecnologia da informação e comunicação, na Capital. Para os próximos meses, estão previstas ainda as conclusões dos trabalhos sobre os ramos de móveis e madeira, agroalimentar, celulose e papel, meio ambiente, bens de capital e turismo.

 

Histórico - Lançado em 2012, o PDIC teve como primeira etapa a realização de estudos que apontaram os setores produtivos mais promissores de Santa Catarina. Foram identificados, com base em pesquisas, 16 segmentos “portadores de futuro” em todas as regiões do Estado. Na sequência, em associação com universidades e instituições de pesquisas, foram realizados estudos e painéis relativos a todos os setores, com atividades em Balneário Camboriú, Blumenau, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Itajaí, Joinville, Lages e São Bento do Sul. E agora, com o lançamento das rotas estratégicas que comporão o Masterplan, tem início a terceira etapa do PDIC 2022.

A apresentação das rotas estratégicas do PDIC tem o apoio da Associação Catarinense de Imprensa (ACI), Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acaert), Associação Diários do Interior Santa Catarina (ADI SC), Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina (Adjori SC) e do Sindicato as Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Estado de Santa Catarina (Sindejor-SC).