Mercado vê inflação maior e expansão menor do PIB em 2015, diz BC

 

Veículo: Folha de São Paulo

Seção: Economia

Com os principais indicadores econômicos de 2014 praticamente dados, as atenções dos analistas de mercado se voltam mais para 2015 e as projeções para o próximo ano mostram uma deterioração das expectativas para a inflação, para o crescimento e para as contas externas, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central.

A mediana das estimativas para o IPCA, índice oficial da inflação, deste ano continuou em 6,43%, mas as projeções para 12 meses subiu de 6,55% para 6,57%. A previsão para 2015 também aumentou, de 6,45% para 6,49%.

O Focus mostra que os analistas do mercado veem uma inflação mais pressionada no próximo ano pelos preços administrados, cuja previsão subiu de 7,10% para 7,20%, e pelo câmbio mais depreciado, de R$ 2,65 para R$ 2,67.

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) informa sua última decisão em 2014. Os analistas Top 5 – que mais acertam as projeções– acreditam num aperto maior esta semana, de 0,50 ponto para 11,75%, mas também veem o juro em 12% no ano que vem.A estimativa para a inflação de novembro, que será divulgado na sexta-feira (5), caiu ligeiramente, de 0,60% para 0,59%. Para a Selic, taxa básica de juros, os analistas continuam a estimar avanço de 0,25 ponto percentual, para 11,50% neste ano e mais 0,50 ponto em 2015, para 12%.

Eles não mexeram em suas estimativas para o inflação, que seguiram em 6,51% neste ano e em 6,40% em 2015.

ATIVIDADE

Quanto à atividade, as projeções para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) continuaram a cair, de 0,20% para 0,19% neste ano, e de 0,80% para 0,77% em 2015.

Na sexta-feira (28), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB do terceiro trimestre cresceu apenas 0,1% sobre o segundo. Embora o resultado tenha encerrado a chamada recessão técnica (dois trimestres seguidos de queda) e tenha mostrado uma composição um pouco melhor, com reação da indústria e dos investimentos, não foi considerado uma recuperação da economia.

A dinâmica mais favorável não deve continuar no último trimestre, nem antecipa um cenário de retomada consistente para 2015, segundo economistas consultados pelo Valor.

Ainda no Focus, a estimativa para a produção industrial deste ano foi revisada de queda de 2,30% para recuo de 2,26%, e a de 2015 cedeu de alta de 1,30% para avanço de 1,13%.

SETOR EXTERNO

Nas estimativas para o setor externo, houve queda na projeção para o saldo da balança comercial neste ano, de US$ 100 milhões para zero, e de 2015, de US$ 6,50 bilhões para US$ 6,31 bilhões.

O deficit em conta corrente no ano que vem passou de US$ 77 bilhões para US$ 78 bilhões, enquanto o de 2014 seguiu em US$ 83 bilhões.