Economia parou de encolher, indica Banco Central

 

Veículo: Folha de São Paulo

Seção: Economia

A economia brasileira parou de encolher, mas está estagnada no acumulado do ano, mostra o Banco Central.

Segundo os cálculos divulgados nesta segunda (17), a atividade econômica teve expansão de 0,6% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores.

Foi a melhor taxa desde o segundo trimestre de 2013, mas não chegou a compensar a queda de 0,8% medida entre março e junho deste ano.

De janeiro a setembro, a variação foi de 0,01% ante o mesmo período de 2013.

Chamado de IBC-Br, o índice de atividade do BC baseia-se em dados da indústria, dos serviços e do comércio. A medida mais completa da evolução da produção e da renda do país é o PIB, cujo desempenho trimestral será divulgado no fim do mês pelo IBGE.

Segundo o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, o cálculo veio acima do esperado. O indicador sugere que o país saiu da recessão, mas não é motivo para comemoração, afirma.

"Devemos ter crescimento próximo a zero neste ano, com alguma queda na atividade no quarto trimestre", diz. Fechamento de postos de trabalho em outubro e deficit comercial são alguns indicadores de que o quarto trimestre será de estagnação ou queda na atividade, pontua.

Níveis baixo de confiança do consumidor e do empresário são outros indícios de um fim de ano difícil, diz Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria. Do lado da produção, o estoque elevado na indústria, sobretudo automobilística, sugere que o PIB do terceiro trimestre virá abaixo do IBC-Br. Ele aposta numa expansão de 0,3%.

Na pesquisa semanal feita pelo BC com analistas de bancos e consultorias, a projeção central para o crescimento do PIB neste ano ficou estável, em 0,21%. Para 2015, a estimativa ficou em 0,8%.

Os mais recentes resultados mensais do IBC-Br mostram alguma melhora. Houve expansão de 0,4% em setembro, a terceira alta consecutiva.

Os números trimestrais mostram que a produção conjunta da indústria, dos serviços e da agropecuária crescia perto ou abaixo de zero desde a segunda metade de 2013.

Nesse período, a atividade sofreu os efeitos da alta dos juros do BC, que passaram de 7,25% ao ano para 11,25%.

O objetivo do aperto monetário foi conter o crédito, o consumo e a inflação, que, no entanto, deve fechar o ano perto do teto legal de 6,5%.

A decadência, no entanto, vem desde o início do governo Dilma. A crise externa interrompeu a alta dos preços das exportações, e a política oficial fracassou na tentativa de impulsionar a economia com alta de gastos públicos e intervenções no mercado.