Para economista, pessimismo com o Brasil é exagerado

 

Veículo: O Estado de São Paulo

Seção: Economia

Para Philip Schellekens, economista sênior do Banco Mundial, País ainda pode contar com ‘colchões de proteção’

 

NOVA YORK - Os países emergentes estão claramente sofrendo uma desaceleração econômica, mas tem havido um pessimismo exagerado sobre o Brasil, avalia o economista-sênior do Banco Mundial, Philip Schellekens. “Houve um superotimismo com o Brasil durante o boom das commodities e agora há um pessimismo exagerado sobre a situação da economia brasileira”, disse ele em um seminário na Universidade Columbia na sexta-feira, 14, sobre perspectivas para os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Schellenkens destacou que, no geral, são oferecidas três razões para explicar o “superpessimismo” com o Brasil e a atividade econômica fraca: cenário externo ruim, deterioração de indicadores macroeconômicos e falta de reformas estruturais.

Dessas três razões, o economista do Banco Mundial afirma que não concorda com as duas primeiras e avalia que só a que atribui o fraco desempenho da economia brasileira à falta de reformas é mais convincente. De fato, diz ele, quando o País cresceu mais em anos recentes, foi porque reformas importantes feitas anteriormente criaram condições para o crescimento mais acelerado.

Sobre a contribuição do cenário externo ruim, Schellekens afirma que não concorda com essa razão. “Vamos lembrar que o Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo”, disse, destacando a baixa participação das exportações e importações no PIB. “O crescimento no Brasil ainda decorre, primariamente, do mercado doméstico”, afirmou.

Sobre a contribuição da deterioração de indicadores econômicos para o pessimismo, Schellekens concorda que os números pioraram nos últimos anos. A inflação não cai e tem ficado no topo ou acima da meta e as contas fiscais estão ruins. Mas para ele, o Brasil ainda tem alguns números bons, como as reservas internacionais elevadas, sobretudo quando comparadas ao passado. “Os colchões de proteção no Brasil ainda estão lá”, avaliou.

Apesar de criticar o pessimismo exagerado em relação ao Brasil, Schellekens avalia que ainda há muito para ser feito no País, como melhorar a qualidade da educação, da competitividade e da força de trabalho.

Para o economista, era “totalmente natural” as economias que compõem a sigla Brics reduzirem o ritmo da atividade econômica depois de crescerem em ritmo forte em períodos recentes.