Para analistas, varejo desacelera e deve crescer 0,4% em setembro

 

Veículo: Valor Econômico

Seção: Economia

A inflação de alimentos mais alta em setembro deve ter inibido as vendas nos super e hipermercados no mês e levado a uma desaceleração do comércio na comparação com agosto, avaliam economistas, mesmo com expectativa de recuperação dos setores mais ligados a crédito.

Após alta de 1,1% em agosto, a média das projeções de 19 instituições financeiras e consultorias é de avanço de 0,4% do volume de vendas do varejo restrito em setembro, em relação ao mês anterior, feitos os ajustes sazonais.

 

 

As estimativas para a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), a ser divulgada amanhã pelo IBGE, vão de queda de 0,3% até aumento de 1,1%. Caso a média das projeções se confirme, o varejo teria encolhido 0,6% no 3º trimestre.

Já para o comércio ampliado - que, além dos segmentos de veículos e construção, também considera os oito setores pesquisados no varejo restrito -, a expectativa média de 15 analistas é de alta de 0,5% entre agosto e setembro, após queda de 0,4% no mês anterior, em função da volatilidade que tem sido observada nas vendas de automóveis, principalmente.

Leandro Padulla, da MCM Consultores, estima crescimento de 0,5% das vendas no varejo em setembro, mas não avalia que a segunda alta consecutiva do comércio indica recuperação consistente do segmento no terceiro trimestre. "O varejo passou grande parte do ano em queda e a alta de 1,1% observada em agosto foi apenas uma compensação do desempenho ruim de julho", afirmou Padulla, referindo-se à queda de 1% do comércio naquele mês.

Em setembro, disse, os sinais são de alguma recuperação dos setores ligados ao crédito. Indicadores como as consultas ao Usecheque e ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPCP), que apontam a tendência para as vendas à vista, aumentaram no mês passado, enquanto a Índice de Atividade do Comércio da Serasa mostrou alta das vendas de móveis e eletrodomésticos no período.

Por outro lado, as vendas nos supermercados tendem a ter desempenho mais fraco no período, avalia Padulla. O índice de vendas compilado pela associação das empresas do setor, a Abras, mostrou retração de 0,4% das vendas no segmento entre agosto e setembro, na série com ajuste sazonal.

Para Paulo Neves, da LCA Consultores, o fraco desempenho esperado para as vendas nos mercados deve pesar sobre o resultado geral do comércio em setembro. Ele projeta leve queda, de 0,2%, das vendas no varejo restrito na passagem mensal. Além da base mais alta de comparação - após alta de 1,1% do comércio em agosto -, os indicadores mais ligados ao mercado de trabalho dão sinais de fraqueza, diz o economista.

"A renda desacelerou de uma alta de 2,5% em agosto para avanço de 1,5% em setembro, sempre em relação ao mesmo período do ano passado", diz Neves, lembrando ainda que, na série com ajuste sazonal da consultoria, houve fechamento de 12 mil postos de trabalho formais no mês.

Além disso, a inflação de alimentos, que caiu 0,15% em agosto, registrou alta de 0,78% no mês seguinte, o que tende a ter efeito bastante negativo sobre as vendas do ramo alimentício, afirma Neves. Ele vê alguma melhora nas condições de crédito para o consumo, mas avalia que a alta da demanda por empréstimos, em um cenário de endividamento ainda elevado, deve ter sido insuficiente para ofuscar a piora observada nas condições de emprego e renda.

Neves projeta um cenário de cautela para as vendas até o fim do ano. No terceiro trimestre, diz, o varejo deve ter queda de 0,7% na comparação com o segundo trimestre, na série com ajuste sazonal, e encerrar o ano com avanço de 2,3%, menos do que a alta de 4,3% em 2014.

Apesar de esperar desempenho mais positivo em setembro, Padulla, da MCM Consultores, também estima queda das vendas entre o segundo e o terceiro trimestres, de 0,6%. O economista avalia que os últimos três meses do ano podem ser ligeiramente mais positivos, por causa da herança estatística. Ainda assim, o setor deve encerrar o ano com expansão de 2,5%.

No caso do varejo ampliado, que inclui automóveis e eletrodomésticos, o prognóstico é ainda menos favorável. Padulla prevê queda de 1,1% das vendas na média de 2014. Apesar da volatilidade nos dados mensais, diz, a tendência tem sido de queda nas vendas da indústria automobilística.

Para setembro, estima alta de 1,1% do varejo ampliado, após queda de 0,4% no mês anterior, baseado sobretudo no aumento de 1,9% das vendas de comerciais leves, automóveis e motos no mês, segundo dados do setor.