Mercado projeta crescimento do PIB de 0,24% em 2014

 

Veículo: O Estado de São Paulo

Seção: Economia

Se confirmada esta taxa, o País terá o menor crescimento desde 2009, quando o PIB recuou 0,3%

A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 no relatório de mercado Focus, divulgado pelo Banco Central, apresentou ligeira queda, passando de 0,27% para 0,24%. Um mês atrás a expectativa também era de um avanço de 0,24%. Este foi o primeiro boletim de mercado Focus elaborado após as eleições presidenciais e a elevação da Selic de 11% ao ano para 11,25%. O relatório divulgado na segunda-feira passada havia sido fechado na sexta-feira, dia 24, antes portanto das eleições.

Se confirmada esta taxa, o País terá o menor crescimento desde 2009, quando o PIB recuou 0,3%. Desde 2009, o mercado não tinha expectativas tão pessimistas para a economia no relatório Focus. Em dezembro daquele ano, a projeção para o PIB estava em -0,24%.

Os economistas, mesmo com previsões ruins para este ano, continuam a acreditar em alguma retomada da atividade no ano que vem, e mantiveram a taxa mediana para o período inalterada em 1%. Essa é a quarta semana consecutiva que essa previsão se mantém.

Conforme a pesquisa, o setor manufatureiro terá retração de 2,17% este ano, previsão ligeiramente melhor que a da semana passada, quando a projeção estava em queda de 2,24%. Vale lembrar que um mês antes, a expectativa era de uma diminuição da atividade de 2,14%. Para 2015, a previsão é de recuperação do setor, que deve ter expansão de 1,42% - mesmo número do documento anterior. Um mês antes a previsão era de 1,40%.

Os analistas mantiveram em 35,25% suas estimativas para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2014. Um mês antes estava em 35,00%. Já o ponto central da pesquisa para a relação em 2015 subiu de 35,75% para 35,80% de um levantamento para o outro. Quatro semanas antes, porém, estava em 35,50%. 

Inflação. A mediana das projeções para o IPCA de 2014 ficou inalterada em 6,45% de um levantamento para o outro. Um mês atrás, a estimativa para o indicador estava em 6,32%. O relatório foi divulgado há pouco pelo Banco Central.

Para 2015, a mediana registrou ligeira elevação, passando de 6,30% para 6,32%. Há quatro semanas, a perspectiva era de alta de 6,30%. A previsão suavizada para o IPCA para os 12 meses à frente também subiu, de 6,37% para 6,38%. Quatro semanas atrás estava em 6,38%.

Para o curto prazo, não houve alteração na mediana para outubro, que permaneceu em 0,50%, enquanto para novembro foi visto uma correção de 0,58% para 0,57%. Um mês atrás, essas taxas estavam, respectivamente, em 0,50% e 0,60%.

Juro. Mesmo depois da elevação da taxa básica de juros na semana passada, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic de 11% ao ano para 11,25%, os analistas ouvidos para o boletim Focus mantiveram suas projeções em 11% ao ano. Essa é a mesma previsão há 22 semanas. Apenas o grupo dos analistas que mais acerta, chamado de Top 5, mudou a projeção de 11% para 11,50%. 

Para 2015, o mercado estima que a Selic fique em 12% ao final do ano que vem. Na publicação anterior, a estimativa era de que chegasse a 11,50%. Um mês antes, a projeção estava em 11,88% ao ano e mostrava um mercado dividido entre uma taxa de 11,75% e 12,00%, isso porque o Banco Central faz alterações na taxa com múltiplos de 0,25 ponto porcentual por vez. Entre os analistas que mais acertam a projeção para o próximo ano passou de 12% para 12,25%.